Lisboa Cerca de 30 mil imigrantes brasileiros em Portugal puderam iniciar ontem o processo necessário para se legalizar no país europeu, graças a um acordo bilateral assinado em julho passado. O acordo permite a todos os cidadãos brasileiros que entraram em Portugal antes do dia 11 de julho de 2003 a obter seus documentos de residência, mediante à apresentação de um contrato de trabalho.
Em compensação, cerca de 2.500 imigrantes portugueses poderão fazer o mesmo no Brasil, sob as mesmas condições. Ao anunciar este plano, o governo português estimou em 15.000 o número de brasileiros vivendo ilegalmente no seu território. No entanto, mais de 30.000 já iniciaram o processo para se legalizar.
A maioria dos imigrantes brasileiros tem entre 25 e 33 anos, e trabalha nos setores de serviços ou da construção, segundo a Polícia. Mesmo recebendo seus papéis de residência, os brasileiros deverão pagar uma multa por ter entrado ilegalmente no país, uma medida que foi muito criticada por grupos de defesa dos direitos dos imigrantes em Portugal.
''Há pessoas que terão de pagar 400 euros, ou seja mais do que elas ganham em um mês'', destacou Carlos Viana, presidente da Casa Brasil, que representa os interesses dos brasileiros em Portugal.
Outros grupos de imigrantes denunciaram o fato de que a nova medida favorece unicamente os brasileiros, prejudicando as outras nacionalidades. O governo português de centro-direita já prometeu ampliar este programa para todas as antigas colônias portuguesas da África.
Cerca de 60.000 brasileiros vivem legalmente em Portugal. Se outros 30.000 conseguirem regularizar sua situação, a comunidade do Brasil se tornará a primeira em números de imigrantes em Portugal, superando a ucraniana. Aproximadamente 400.000 estrangeiros moram legalmente em Portugal, onde a população total é constituída por 10 milhões de pessoas.

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