O porta-aviões brasileiro ‘‘Minas Gerais’’ já reina definitivamente como o único porta-aviões de todo o Hemisfério Sul: a empresa Argeocean S.A. venceu a licitação da Marinha argentina para sucatear seu irmão-gêmeo, o porta-aviões argentino ‘‘25 de Mayo’’. Daqui a 40 dias, o navio estará pronto para ser levado até a costa da Índia, onde, segundo a informação oficial, será desmontado e transformado em sucata. Há sete anos que o porta-aviões estava no dique seco à espera de reformas que o cada vez mais exíguo orçamento para o Ministério da Defesa não podia realizar.
Muito menos dos que os previstos US$ 1,2 milhão, a quantia de US$ 321 mil foi suficiente para que a Argeocean obtivesse os direitos sobre as 10 mil toneladas que ainda flutuam do ‘‘25 de Mayo’’. A tonelagem original era de 19.896 toneladas, mas a sequência de desmontagem já havia começado no ano passado, quando o presidente Carlos Menem havia assinado o decreto que marcava o fim do porta-aviões. No entanto, nas três licitações anteriores, nenhuma empresa havia se interessado pela nave.
Entre os diversos destinos do navio, haviam sido consideradas as hipóteses de transformá-lo em museu e até em shoppping center, que seria instalado nas docas de Puerto Madero, ao lado do centro de Buenos Aires. Mas o final escolhido foi o de transformar-se em peças de metal nas distantes praias indianas, onde será encalhado e desmontado. Dentro do mundo dos compradores de sucata, a Índia é considerada a que melhor paga: US$ 190 por tonelada de aço. Prevê-se que o ‘‘25 de Mayo’’ levará 80 dias para ser removido até lá.
Nos últimos meses, peças do ‘‘25 de Mayo’’ serviram como peças de reposição do ‘‘Minas Gerais’’, que passa por um processo de modernização. Entre as partes fagocitadas pelo colega brasileiro estiveram os sistemas da catapulta e do freio da pista. A integração já ocorria há vários anos, de outras formas: as marinhas dos dois países realizam manobras conjuntas anuais, onde os aviões navais argentinos, atualmente sem porta-aviões, treinam os pousos no ‘‘Minas Gerais’’. Em troca, como o Brasil não possui marinha naval de porte, os pilotos brasileiros são treinados nas bases argentinas.

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