POR US$ 100 MIL 1º vôo privado espacial sai na segunda
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sexta-feira, 18 de junho de 2004
France Presse 
Washington - Um visionário da aeronáutica financiado por um milionário da informática inaugurarão na próxima segunda-feira a era do turismo espacial particular, enviando para fora da atmosfera um piloto no comando de uma nave digna de uma aventura de ficção científica.
A ''SpaceShipOne'' tem a forma de um supositório gigante com asas e é enfeitada com estrelas azuis: seu design extravagante deve permitir que suba como um foguete e com a velocidade três vezes maior à do som, e depois volte à Terra pousando como se fosse um planador.
O plano prevê que o aparelho decole acoplado em um avião do deserto californiano do Mojave, perto da base Edwards, pioneira no programa espacial americano. Depois de uma primeira etapa de vôo, seu foguete será acionado a 15 km de altura para iniciar uma subida vertical.
Quanto ao piloto, seu nome só será revelado no domingo. Se tiver êxito, ele experimentará a falta de gravidade por alguns minutos, transformando-se no primeiro astronauta particular: esse será seu título oficial.
Seja quem for o escolhido, ele poderá observar a imensidão negra do espaço e a linha azul da atmosfera, como fazem os ocupantes da Estação Espacial Internacional 300 km mais acima, se por acaso essa noção de espaço existisse no espaço.
Mas ao contrário do laboratório espacial ou do ônibus espacial, o aparelho não terá velocidade, o que o fará retornar imediatamente à atmosfera. Então sofrerá uma queda livre de 30 km até passar as camadas superiores da atmosfera. Ao chegar às camadas mais densas, sofrerá uma força de sustentação que o colocará em vôo planado.
As características deste vôo -chamado de suborbital - minimizam os riscos na decolagem e o retorno à Terra ilustrados nas catástrofes do Challenger (1986) e o Colúmbia (2003).
O design da nave faz com que ela se comporte bem na fase crítica da reentrada na atmosfera, explicou seu criador, o engenheiro Burt Rutan. Rutan já havia criado o ''Voyager'', o avião mais econômico do mundo, com o qual seu irmão, Dick, conseguiu dar a volta ao mundo em nove dias sem escalas e sem recarregar combustível, em 1986.
Para este desafio mais ambicioso, Burt Rutan conseguiu convencer Paul Allen, co-fundador da Microsoft junto com Bill Gates e fanático por astronomia, espaço e ficção científica, a entrar na empreitada e investir 20 milhões de dólares no projeto.
Se o vôo tiver êxito, os organizadores prevêem repeti-lo mais duas vezes, com intervalos de quinze dias e com três pessoas a bordo. Assim feito, terão cumprido os critérios impostos pela Fundação Ansari X Prize para ganhar 10 milhões de dólares, prêmio pelo qual competem cerca de vinte equipes internacionais que acreditam no futuro do turismo espacial.
Rutan e Allen desejam deixar o governo sem o monopólio das viagens espaciais, colocando-as ao alcance de quem puder pagar por elas. ''Desde os vôos épicos de Yuri Gagarin e Alan Shepard em 1961, todas as missões espaciais foram programas governamentais caros e pesados. Ao contrário, nosso programa implica poucas pessoas muito motivadas, que tentam fazer com que os vôos espaciais sejam rentáveis'', afirmou Rutan.
O vôo da ''SpaceShipOne'' tem boas perspectivas em função do teste realizado em 13 de maio passado, quando a nave alcançou uma altura de 211.400 pés (64,43 km).
Em princípio, uma passagem para o espaço custaria 100.000 dólares, mas o preço poderá cair abaixo dos 10.000 dólares quando, por volta de 2010, houver outras naves competindo no mercado.


