Dezenas de milhares de pessoas – entre comerciantes, estudantes e trabalhadores – reuniram-se ontem em uma rara aliança por uma greve geral que pede a renúncia do presidente filipino, Joseph Estrada, ao invés de um longo processo de impeachment.
Anteontem, Estrada, que é acusado de receber propinas do jogo ilegal, tornou-se o primeiro presidente das Filipinas a ter um processo político enviado ao Senado. Entretanto, muitos grupos civis temem que um impeachment prolongado poderia piorar ainda mais a crise econômica do país.
Mais de 20 mil estudantes e trabalhadores encontraram-se no final da tarde em uma área próxima ao palácio presidencial, em Manila. Muitos permaneceram durante a noite para uma vigília. Em uma grande faixa carregada pelos manifestantes, lia-se: ‘‘Senhor Estrada, dê ao povo filipino um presente de Natal: renuncie.’’
Em várias outras cidades do país, milhares de pessoas também se reuniram nas ruas para pedir a saída do presidente, forçando muitas escolas a suspender as aulas e o fechamento de lojas. Na cidade de Bacolod, comerciantes liberaram seus empregados para que pudessem participar da manifestação, que reuniu cerca de 30 mil pessoas.
Na Bolsa de Manila os corretores não tiveram dúvidas em unir-se a uma manifestação de trabalhadores em greve. Pelo menos em 30 cidades de província também foram realizadas manifestações contra Estrada.
Também se declararam em greve numerosas fábricas e os meios de transporte nas grandes cidades do arquipélago.
Até os empresários e as poderosas instituições financeiras apóiam este ‘‘histórico movimento’’ de protesto, declarou Vicky Garchitorena, porta-voz de um grupo cívico Congresso do Povo filipino.
A vice-presidente Gloria Arroyo e o chefe da influente Igreja Católica, cardeal Jaime Sin, que encabeçavam até agora o movimento contra Estrada, continuam mantendo suas ações.
Gloria Arroyo, que segundo a Constituição substituirá o chefe do Estado se este não puder terminar seu mandato, declarou que a aliança de oposição que dirige continuará suas manifestações até que Estrada abandone o poder. Estrada foi eleito em 1998 para um mandato de seis anos.
Apesar dos protestos, Estrada afirmou que não renunciará e que responderá as acusações contra ele durante o processo de impeachment, segundo informou o secretário de imprensa da presidência.
O presidente, um ex-astro do cinema, é acusado de ter recebido pelo menos US$ 4 milhões de chefões do crime organizado ao longo dos últimos dois anos, para não reprimir a organização de uma loteria ilegal, chamada de juenteng. Estrada é também acusado de receber US$ 20 milhões no processo de venda do controle acionário da principal companhia telefônica filipina.
A primeira acusação envolvendo Estrada ocorreu em outubro, quando um ex-aliado, o governador de Ilocos do Sul, Luis Singson, revelou ter intermediado a entrega de propina dos chefões do jogo ao presidente. Na quinta-feira passada, Estrada admitiu apenas ter sofrido uma tentativa de suborno, mas negou que tivesse recebido o dinheiro.

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