População do Haiti tenta invadir Palácio
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terça-feira, 08 de abril de 2008
Sergio Ranalli<br>Enviado Especial a Porto Príncipe 
Liberté, Liberté eram os gritos de ordem da população nas cercanias do Palácio Nacional em Porto Príncipe, capital do Haiti. As tropas brasileiras chegaram três minutos antes que os manifestantes conseguissem derrubar os portões. ''Seria um 11 de setembro se população invadisse o Palácio'', disse o Comandante do Batalhão Brasileiro de Infantaria de Força de Paz, coronel Paul Cruz, referindo-se à gravidade da situação.
Desde a última sexta-feira, dia 5, a tensão começou se espalhar pelo Haiti, com protestos no sul do país, em Les Cayes, nos quais tropas uruguaias e o escritório da Minustah foram atacadas. Os protestos são motivados pelo aumento abusivo dos preços de gêneros alimentícios e o descontentamento com o governo do presidente René Preval.
Anteontem, a insatisfação tomou conta de Porto Príncipe e milhares de pessoas saíram as ruas. Ontem, a situação se agravou. Cerca de 10 mil pessoas marcharam em direção ao Palácio Nacional. O Force Comander da Minustah, general Santos Cruz, ordenou intervenção imediata das Forças de Paz Brasileiras, que conseguiram controlar a situação, impedindo uma tragédia já que o presidente René Preval estava no Palácio. Segundo informação do coronel Paul Cruz, Preval permanece no local.
Conforme o oficial de Relações Públicas, tenente coronel Melo, as manifestações são as mais hostis desde 2004 . A violência dos populares, alguns portando amas de fogo, fez com que a forças da ONU utilizassem granadas de efeito moral e tiros com armas não letais. Até o momento nenhuma baixa foi registrada entre os militares, entre os civis há informações, de fontes não-oficiais, de um morto. Quatrocentos militares, todos os blindados (urutus) do batalhão brasileiro, ao todo 14, dezenas de veículos foram mobilizados.
Aspectos políticos, sociais, econômicos, militares e de segurança, colocaram recentemente o Haiti como o sexto país mais instável do mundo, segundo relatório da revista britânica ''Jane's Information Group''.


