População critica desamparo
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de novembro de 1998
France-Presse 
Moradores, instituições religiosas, intelectuais e forças de oposição censuraram o governo do presidente Arnoldo Alemán por deixar desamparados centenas de milhares de desabrigados e politizar a tragédia que a Nicarágua atravessa por causa do furacão Mitch.
Todo o povo está sofrendo. Aqui, o governo não vem porque não quer sujar os sapatos, estamos abandonados, queixou-se sexta-feira Andrés Balmaceda, um camponês do município de Ciudad Darío, 85 km ao norte de Manágua, arrasado pelas águas que transbordaram do Rio Grande de Matagalpa.
Moradores do município de Tipitapa, a 22 km de Manágua, se somaram às vozes de protesto contra o Governo e afirmam viver uma tragédia, já que não recebem alimentos, enquanto vários bairros continuam submersos pelas águas do Lago de Manágua.
No Norte, Oeste, Sul e litoral atlântico nicaraguenses, a situação se repete: os moradores se queixam de que o presidente Alemán não tem dado desde o começo a real importância à emergência, que deixou até agora 4 mil mortos e cerca de um milhão de desabrigados.
Partidos Políticos como a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN-oposição), intelectuais e a imprensa criticaram severamente Alemán por ter recusado a assistência médica oferecida por Cuba e por não decretar emergência nacional, apesar da catástrofe em que se encontra o país.
Alemán tem se defendido e pedido calma, alegando que em um primeiro momento só contava com cinco helicópteros para assistir aos desabrigados e prometeu que a assistência aumentará na medida em que a ajuda internacional for chegando. O presidente disse ainda não ter declarado estado de emergência porque isto significaria limitar os direitos dos cidadãos, como a livre circulação. Todavia, antes, havia afirmado que o estado de emergência prejudicaria a credibilidade internacional da Nicaraguá. E também já pediu que, face à tragédia, a dívida externa nicaraguense seja perdoada.
Fontes da Defesa Civil disseram ter suas diferenças com as autoridades, porque os membros do Comitê de Emergência do governo trabalham sem qualquer coordenação.


