Mesmo depois de duas noites enfrentando ataques de mísseis dos Estados Unidos, para a maioria dos iraquianos ontem foi um dia normal de trabalho.
‘‘Nós sabemos que eles estão jogando centenas de mísseis de cruzeiro sobre nós, mas, na verdade, quem se importa?’’, disse um vendedor de rua ontem de manhã.
‘‘Não temos nada a perder desta vez. Mais sanções e mais bombas não farão diferença’’, afirmou Mustafá Abdul-Latif, um bilheteiro de cinema.
Milhares de iraquianos correram ontem para o mercado de pulga Bab Sherji, em Bagdá, para vender seus pertences na esperança de comprar comida e outros artigos de primeira necessidade.
Nos corredores do mercado, crianças famintas acompanhadas pelas mães levantavam suas mãos pedindo esmola.
Nos cruzamentos de ruas e avenidas, crianças descalças enfiavam suas cabeças pelas janelas dos carros, implorando para que os motoristas comprassem seus cigarros.
‘‘Mais mísseis, mais bombas, mais sanções! Você acha que isso tudo vai mudar a situação? Eu acho que não’’, disse Hatim Hakam, dono de um pequeno café.
Músicas patrióticas compostas durante as guerras Irã-Iraque (1980-88) e do Golfo (1991) estão sendo veiculadas pelas estações de rádio e televisão estatais.
Nas mesquitas, as preces de ontem pediam para que árabes e muçulmanos ficassem do lado do Iraque contra os ataques anglo-americanos.
‘‘Nós pedimos a vocês, irmãos árabes e muçulmanos, para nos apoiar contra a tirania e a arrogância dos Estados Unidos’’, disse um muçulmano rezando na mesquita Ramadã, em Bagdá.
Para a maioria dos iraquianos, os ataques liderados pelos EUA não levarão a lugar nenhum.
‘‘Nós já estamos cheios e seja lá o que for que acontecer não será pior que a nossa situação atual’’, disse Latif.
De maneira geral, a sensação é a de que oito anos de sanções econômicas já são suficientes e o que os iraquianos precisam agora é ver uma ‘‘luz no fim do túnel’’.France PresseNa feiraPara o feirante, os bombardeios não mudaram a rotina e não vão sequer piorar uma situação que já é duraHassan Hafidh,
da Reuters
Reuters

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