A população de Kinshasa, controlada por grande dispositivo de segurança, acudiu em massa ontem para presenciar a passagem do cortejo fúnebre do presidente assassinado Laurent-Desiré Kabila, enquanto seus aliados anunciavam em Angola a vontade de reativar o processo de paz da República Democrática do Congo.
Os moradores da capital, de cinco milhões de pessoas, lotaram as ruas por onde passou a comitiva oficial.
O avião que trouxe os restos mortais do chefe de Estado aterrissou no aeroporto internacional de Ndjili às 12H17 locais.
No aeroporto, onde estavam, entre outras personalidades, a viúva e seu filho, o general Joseph Kabila – que dirige interinamente o país desde quarta-feira –, foram feitas as últimas honras militares.
O cortejo chegou no final da tarde ao palácio do Povo, onde as cerimônias fúnebres continuarão até amanhã, dia oficial do enterro. As cerimônias começaram no sábado na cidade natal de Kabila, Lubumbashi (sudeste do país).
ResponsabilidadeUm grupo de militares congoleses reivindicou ontem o assassinato do presidente da República Democrática do Congo, em um comunicado transmitido à AFP em Paris.
‘‘Somos totalmente solidários ao gesto heróico do nosso irmão de armas Kasereka Rachidi, que se sacrificou para pôr fim aos dias de Kabila, esse monstro sanguinário’’, afirmaram os autores do comunicado, assinado pelos ‘‘Jovens Resistentes do Conselho Nacional para a Resistência e a Democracia (CNRD)’’, datado de 18 de janeiro e escrito – segundo os autores – em Kinshasa.
O CNRD foi dirigido por Ngandu, um dos fundadores da rebelião que levou Kabila ao poder, em maio de 1997.

mockup