População apóia operação no Cáucaso
France Presse
De Moscou
As pressões e críticas estrangeiras sobre a guerra na Chechênia reativaram os sentimentos antiocidentais na Rússia, onde a maioria da população apóia, quase sem reservas, a operação militar. A imprensa acusou ontem os países ocidentais de levar a cabo uma campanha anti-russa e de adotar uma atitude provocadora no conflito checheno.
Os franceses se sentaram à mesa das negociações com os terroristas, anunciou o jornal russo Izvestia, denunciando o encontro de terça-feira em Paris entre um alto funcionário do ministério francês das Relações Exteriores e o ministro checheno Ilias Ajmadov.
Ajmadov denunciou ontem, em Meze (sul da França), o genocídio cometido pela Rússia na Chechênia. O mundo hoje sabe que o que acontece na Chechênia é um verdadeiro genocídio cometido pela Rússia e não uma restauração da ordem institucional, afirmou Ajmadov, em paralelo a uma reunião de deputados europeus do Partido Verde para a qual foi convidado. Ilias Ajmadov pediu ao Ocidente que cesse toda a ajuda econômica à Rússia.
Segunda-feira, Washington acusou Moscou de violar as convenções de Genebra na Chechênia; Paris anunciou terça-feira que a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) ia exercer uma forte pressão sobre a Rússia na cúpula de Istambul (17-19 de novembro).
Os ocidentais não têm que nos dar lições de moral quanto à Chechênia. Quando lhes convém, bombardeiam o Iraque ou a Iugoslávia matando tanto civis quanto militares, afirma Vassili, um moscovita de 40 anos.
Sessenta por cento dos russos acham que não se deve negociar com os líderes chechenos e 51% estão convencidos de que o problema checheno pode ser solucionado por meios militares.
Os apelos à negociação lançados pelos Estados Unidos e a proposta de mediação da OSCE foram categoricamente rejeitados por Moscou, e provocaram a indignação da imprensa.
O jornal Segodnia, ligado ao prefeito de Moscou Yuri Lujkov, destaca por sua vez que é chocante ver Washington preocupar-se com normas de direito internacional depois de ter bombardeado há pouco um país soberano, a Iugoslávia.
Os bombardeios da OTAN em março-abril passado contra a Iugoslávia provocaram um forte sentimento antiocidental na Rússia.
A intervenção do Exército russo na Chechênia já deixou 280 mortos e 600 feridos entre os militares russos, disse ontem o chefe do Estado-Maior das tropas russas, general Valeri Manilov. Segundo o general, há na Chechênia cerca de 5 mil combatentes rebeldes, incluindo mil homens procedentes do exterior.
As tropas russas entraram na Chechênia no dia primeiro de outubro para eliminar os terroristas islâmicos responsáveis pela onda de atentados em Moscou que deixou 293 mortos na Rússia.
Segundo as autoridades chechenas, a ofensiva russa já matou 3.300 civis. A guerra já provocou o deslocamento de cerca de 200 mil refugiados.





