São Paulo Após esperar quase duas horas, o tenente-coronel Marcos Pontes primeiro brasileiro no espaço e os demais integrantes da ''Missão Centenário'' conseguiram entrar na ISS (sigla em inglês para Estação Espacial Internacional), por volta das 3 horas de ontem.
Pontes foi o primeiro a sair da nave russa Soyuz TMA-8, que transportou a tripulação até a estação, e abraçou o russo Valeri Tokariov e o norte-americano William McArthur, atuais tripulantes da ISS. Sorridente, Pontes carregava e exibia a bandeira brasileira.
Durante a apresentação da equipe, Pontes recebeu uma mensagem do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que felicitou o brasileiro e os demais integrantes da nave. ''Pontes, bola pra frente!'', disse Lula ao astronauta, que agradeceu.
A Soyuz acoplou-se com sucesso à Estação Espacial Internacional, à 1h18 de ontem, no horário de Brasília. Pontes e outros dois astronautas partiram às 23h29 de quinta-feira (horário de Brasília) da base de Baikonur, no Cazaquistão. A tripulação teve de esperar cerca de uma hora e meia para checagem de sistemas e para a pressão interna da nave se equiparar com a da estação. Além de renovar a tripulação, a missão levou à ISS uma grande provisão mantimentos, equipamentos e experimentos científicos.
Cerca de 350 km separam a base do Cazaquistão da estação. A demora de dois dias até a estação se explica pelo fato de a Soyuz girar em torno da Terra cerca de 30 vezes, ganhando altitude gradativamente, até chegar a seu destino. A volta, que dispensa esse percurso em espiral, é mais rápida: leva pouco mais de três horas e deve trazer o brasileiro ao solo terrestre às 21h46 do dia 8 de abril (horário de Brasília).
Para o brasileiro, a missão vai durar dez dias oito deles dentro da ISS onde ele vai realizar oito experimentos científicos. Já o russo Pavel Vinogradov e o norte-americano Jeffrey Williams, que também participam da ''Centenário'', ficarão na ISS por pelo menos seis meses. Pontes voltará à Terra em companhia do russo Valeri Tokariov e do americano William McArthur.
O CCVE (Centro de Controle de Vôos Espaciais) da Rússia informou que teve problemas de comunicação com a nave. ''Na fase de separação e do vôo autônomo surgiram problemas em alguns canais de comunicação. Tivemos de trabalhar de uma forma um pouco complicada'', disse à agência Itar-Tass Vladimir Soloviov, chefe do programa de vôos do CCVE. Ele explicou que os problemas ocorreram em unidades em Terra que não recebiam da Soyuz informações de telemetria relacionadas com o funcionamento de parâmetros de vôo da nave. Segundo ele, os problemas não interferiram no vôo da Soyuz, que está obedecendo ao cronograma estabelecido.
Missão O nome dado à missão a 13 viagem espacial à ISS é uma homenagem a Alberto Santos Dumont, brasileiro que há 100 anos conseguiu fazer o avião 14 Bis voar pelos céus de Paris. Neste clima de reverência àquele conhecido como ''o pai da aviação'', Pontes leva na bagagem um chapéu Panamá idêntico ao usado por Dumont.
Durante esses oito dias na estação espacial, o astronauta deve fazer três contatos com a Terra o primeiro deles será com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende. Pontes também deve falar com jornalistas brasileiros e, pouco antes de sua volta, vai conversar do espaço com técnicos da missão.

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