Ponte caiu sobre duas casas; ao menos 30 carros estavam no trecho que desabou.
Ponte caiu sobre duas casas; ao menos 30 carros estavam no trecho que desabou. | Foto: Andrea Leoni/AFP



São Paulo - Um trecho de uma ponte desabou na manhã desta terça (14) durante um temporal em Gênova, no norte da Itália, quando mais de 30 veículos passavam sobre a construção. Segundo o governo italiano, ao menos 26 pessoas morreram e há 15 feridos, sendo nove deles sob risco de morte.

O saldo inclui apenas corpos recuperados até as 20h30 (de Brasília) desta terça (14) e mortos após o resgate - o trabalho de buscas prosseguiria noite adentro com cerca de 200 socorristas para localizar desaparecidos. Durante a escavação dos escombros, quatro pessoas foram retiradas com vida.

Bombeiros locais, que chegaram a anunciar 35 mortos durante a tarde, falavam em 29, sendo dois deles crianças.

O Itamaraty informou não ter relato de brasileiros entre as vítimas do incidente, cuja causa ainda seria investigada.

A hipótese mais aventada para o colapso, ocorrido por volta das 11h30 locais (6h30 de Brasília), é que a estrutura do viaduto fosse frágil demais para o tráfico pesado entre bairros industriais da cidade e carecesse de manutenção.

Construída em 1967, a ponte Morandi passou por reforma há dois anos e agora deve ser totalmente demolida. Em Gênova ela é chamada de "ponte do Brooklyn", em alusão ao cartão-postal de Nova York.

O chefe da Defesa Civil italiana, Angelo Borrelli, afirmou que de 30 a 35 carros e três caminhões estavam no trecho que desabou, que tinha aproximadamente 80 metros de extensão e estava a 45 metros de altura. Segundo ele, a ponte caiu sobre duas casas vazias.

O jornal italiano Corriere della Sera informou que pelo menos 440 genoveses foram retirados de suas casas até 23h locais (18h em Brasília) e que a defesa civil monitorava 11 prédios na região.

O premiê Giuseppe Conte visitou o local no fim da tarde. "É uma tragédia imensa, inconcebível nos dias de hoje", declarou. O incidente é o primeiro teste para seu governo, que assumiu em junho com discurso anti-União Europeia.

A estrada A10, onde está a ponte Morandi, passa por Gênova, segue para a fronteira com a França e é usada por moradores das regiões de Piemonte e Lombardia que vão até as praias da Ligúria.

A concessionária responsável, Autostrade per l'Italia, se comprometeu a cooperar para elucidar o acidente e disse que não havia manutenção prevista. A empresa é controlada pela Atlantia, cujo principal acionista é o braço investidor da família Benetton.

SOBRECARRECADA E INSEGURA
Uma estrutura mal conservada, sobrecarregada por carros e caminhões, com pilares pequenos demais para seu tamanho e sua extensão. Assim o caminhoneiro brasileiro Carlos Eduardo Fernandes, 39, descreve a ponte que desabou nesta terça-feira (14) em Gênova, deixando dezenas de mortos e feridos.

Natural de Rio Claro (SP), Fernandes, que vive na Itália com a mulher e os filhos há quatro anos, passava cerca de cinco vezes por semana pela ponte Morandi para fazer entregas para a loja onde trabalha. Não gostava, mas não tinha alternativa: na outra opção disponível, uma via à beira-mar, caminhões são proibidos.

"Ontem mesmo, no fim da tarde, passei por lá. Mas nunca gostei. Este domingo eu estava falando isso com a minha mulher, que é uma ponte alta, estreita, muito comprida, velha. Quando eu passava por baixo, dava para ver os pilares e eram muito pequenos para o tamanho e a altura que ela tem", conta. Fernandes relata também que a ponte "vivia em manutenção". "Tem reportagens de 2016 com engenheiros que já diziam que essa ponte poderia cair. A população sempre falou que ela era um perigo. Uma hora ou outra ia acontecer."

Para Fernandes, o fato de ser véspera de feriado na cidade - quando muitos moradores não estavam trabalhando e alguns comércios da área estavam fechados - evitou que a tragédia fosse ainda maior.

Um dos fatores que ajudam a danificar as estruturas, avalia, é o sal que é colocado para derreter o gelo e a neve no inverno. "No inverno aquilo vira uma pista de gelo, e eles ficam 24 horas jogando sal para derreter."

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