Ponte da Amizade é aberta após 50 horas
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Valmir Denardin 
Após 50 horas de bloqueio, a Ponte da Amizade - principal ligação entre o Brasil e o Paraguai, que une Ciudad del Este e Foz do Iguaçu - foi aberta às 13h15 de ontem (12h15 no horário paraguaio). A abertura obedeceu a uma ordem expedida no final da manhã pelo juiz Jorge Bogarin Gonzáles, do 3º Turno Criminal de Assunção.
A medida judicial ordenou a abertura imediata de todas as fronteiras do Paraguai - com Brasil, Argentina e Bolívia -, que estavam fechadas desde as 11h15 de terça-feira, por ordem do ministro do Interior paraguaio, José Rúben Arias Mendoza.
A Polícia Nacional que, juntamente com o Exército e a Marinha paraguaios, bloqueava a Ponte da Amizade, recebeu a ordem judicial às 13 horas. Quinze minutos depois, os cerca de 500 brasileiros que aguardavam na aduana começaram a cruzar a fronteira. Após uma checagem rigorosa de documentos e pertences, os brasileiros começaram a ser liberados, a pé, primeiro mulheres, crianças e idosos. Depois, os homens.
Tudo foi tranquilo e rápido, contou à Folha o chefe da Polícia Nacional no Departamento (o equivalente a Estado) de Alto Paraná, Hector Lugo. Depois que as pessoas passaram, a ponte foi liberada para o tráfego de veículos.
Às 15 horas, o movimento já era tranquilo. No sentido Brasil-Paraguai, a ponte estava praticamente vazia. No sentido inverso, formava-se uma grande fila de caminhões. Com o bloqueio, cerca de 200 caminhões transportando soja paraguaia em direção ao Porto de Paranaguá ficaram retidos em Ciudad del Este.
Lugo disse que os policiais continuarão fazendo um rígido controle da documentação das pessoas na ponte. Quem não tiver documentos, segundo ele, será detido para averiguação. Os suspeitos deverão ser encaminhados a Assunção. Nos pilares de sustentação da aduana, a Polícia Nacional colou cartazes com os retratos falados dos três assassinos do vice-presidente.
As lojas de Ciudad del Este só deverão ser reabertas hoje pela manhã. O Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná não havia calculado, até o final da tarde, o prejuízo causado pelos três dias de fechamento do comércio. Às 17 horas, o Cicap enviou um fax às redações dos jornais em Foz do Iguaçu aconselhando turistas e sacoleiros que forem a Ciudad del Este para que não esqueçam os documentos.


