Políticos querem Carlos Mesa até 2007 na presidência da Bolívia
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de outubro de 2003
Agência Folha 
Líderes políticos da Bolívia pediram que o presidente do país, Carlos Mesa, permaneça no poder até o fim do mandato, em 2007. A antecipação das eleições presidenciais, segundo os políticos, poderia agravar a crise.
Na noite de sexta-feira, logo após assumir a Presidência, Mesa disse que tinha a intenção de encabeçar um governo ''histórico de transição'' e que convocaria eleições. Aos poucos, porém, começa a surgir no país um consenso sobre a permanência de Mesa.
O presidente do Senado, Hormando Vaca Díez, afirmou que ''diante da magnitude da crise econômica, social e política, não há condições para que tenhamos um governo de transição que, dentro de poucos meses, realize eleições.
Vaca Díez é do Movimento Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol). O líder de seu partido, o ex-presidente Jaime Paz Zamora, e outras agrupações políticas disseram compartir da mesma opinião.
Já o líder cocaleiro Evo Morales disse hoje que considera positiva a trégua de 90 dias, anunciada pelo líder indígena Filipe Quispe anteontem. Mas, depois desse prazo, deverá ser construído ''um novo Estado, que deve acabar com o modelo neoliberal''.
O governo de Mesa é composto por intelectuais e técnicos. O presidente, que não tem partido, evitou nomeações políticas. O ministro dos Hidrocarbonetos, única pasta que ainda não tinha uma pessoa indicada, foi anunciado ontem: Franklin Antezana. O ministério é o responsável pelo gás do país.
Ontem, o presidente viajaria para Santa Cruz, onde se reuniria com autoridades locais na cidade, que é a segunda maior do país, depois de La Paz. A região de Santa Cruz é a mais rica de Bolívia.
Além de dizer que seu governo seria de transição, ao tomar posse, na sexta-feira, Mesa anunciou três medidas: a realização de um plebiscito nacional para decidir sobre a exportação do gás; a convocação de uma nova Assembléia Constituinte; e a revisão da Lei dos Hidrocarbonetos.
A Lei de Hidrocarbonetos regulamenta a exploração e comercialização de gás, tema catalisador dos protestos que tomaram várias regiões do país nas últimas semanas, que culminaram na renúncia do ex-presidente Gonzálo Sánchez de Lozada. O total de mortos nos enfrentamentos, segundo a imprensa local, subiu para 80.
Ontem, mesa também enfrentaria a oposição das organizações cívicas da cidade de Tarija, dona de imensas reservas de gás natural, a um referendo sobre o futuro do combustível.
As organizações exigem a exportação imediata do gás para mercados ultramarinos. A posição das instituições de Tarija, cidade do extremo-sul boliviano perto da fronteira com a Argentina, contrasta com a dos camponeses andinos, que promoveram durante um mês manifestações para que o gás não seja exportado.
Enquanto isso, crescem cada vez mais os clamores populares para que Sánchez de Lozada seja submetido a um processo, por causa das mortes provocadas pela violenta repressão dos protestos.
Com Agência France Presse


