Políticos precisam admitir problemas
No caso do Brasil, a tradução dos direitos previstos na Declaração para a vida real também é o maior desafio. Paulo Sérgio Pinheiro, ministro dos Direitos Humanos durante o governo Fernando Henrique Cardoso, aponta para certos avanços na implementação dos direitos. Mas alerta que o silêncio sobre as violações precisa acabar e políticos precisam admitir os problemas.
''A democracia brasileira precisa se olhar no espelho. Hoje, a democracia no País ainda convive com o autoritarismo'', afirmou. ''As políticas de São Paulo e do Rio continuam sendo as mais violentas do mundo democrático'', alertou. ''Há um jogo de faz de conta de que a tortura não existe mais no Brasil. Mas políticos precisam romper esse silêncio e tratar do assunto em suas campanhas eleitorais'', defendeu Pinheiro. Uma das formas de lidar com esses problemas, segundo ele, seria dar uma resposta às violações cometidas durante a ditadura militar. ''Para lidar com os problemas do presente, precisamos limpar o passado'', concluiu, defendendo o fim da Lei da Anistia.
Os problemas econômicos ainda são destacados pela ONU para alertar para as violações no Brasil. Um exemplo da desigualdade social está na educação. Para a entidade, os avanços no número de matrículas nos últimos anos ''mascaram uma desigualdade extrema'' e regiões com escolas com qualidade abaixo dos níveis adequados. ''No Norte e no Nordeste, apenas 40% das crianças terminam o primário'', afirma a ONU em um documento de avaliação da situação no Brasil. No Sudeste, essa taxa seria de 70%. Cerca de 3,5 milhões de adolescentes ainda estariam fora das escolas. Os motivos: violência e gravidez precoce. (A.E.)





