Devido à importância cada vez maior da comunidade hispânica nos Estados Unidos, muitos políticos norte-americanos estão aprendendo espanhol para conversar no idioma deste grupo de eleitores. No Congresso Nacional, diversos parlamentares começaram a utilizar livros e fitas para aprender castelhano, não só com o objetivo de conversar com os eleitores, mas também objetivando conceder entrevistas às tevês, rádios e aos jornais publicados em espanhol. ''É uma fórmula muito rápida e fácil para os candidatos que desejam atrair os eleitores latinos'', disse Lisa Navarrete, do Conselho Nacional de Raza, o principal grupo de ativistas em favor dos hispânicos. No entanto, acrescenta, os candidatos precisam respaldar essa aproximação com posições sólidas a respeito de temas como o salário mínimo, a educação e o cuidado da saúde se quiserem garantir os votos que buscam.
A comunidade hispânica aumentou quase 60% durante a última década. Hoje, compõe mais de 13% da população em 122 dos 435 distritos eleitorais do país.
Os dois principais partidos políticos norte-americanos estão a par do potencial hispânico para mudar o panorama político e começaram a cortejá-los agressivamente com vistas às eleições legislativas de 2002 à corrida presidencial de 2004. Na verdade, os funcionários públicos não precisam necessariamente aprender espanhol para conversar com os hispânicos que não falam inglês. Eles poderiam simplesmente contratar empregados que dominam o castelhano.
O deputado Patrick Kennedy, ex-presidente da Comissão de Campanha Democrata, tomou aulas de espanhol no ano passado para ajudar nas campanhas dos candidatos da Califórnia. Dois deputados republicanos, Mike Rogers e Christopher Shays, reforçaram o conhecimento no idioma, o primeiro praticando com seus amigos e o segundo com aulas intensivas da língua.
O líder democrata Richard Gephardt, possível aspirante à indicação presidencial para 2004, começou a estudar espanhol este ano, disse o porta-voz Erik Smith. Gephardt utilizou duas vezes os serviços de um tradutor para o pronunciamento semanal em espanhol do Partido Democrata, transmissão iniciada pouco depois de 5 de maio, data nacional mexicana, escolhida pelo presidente George W. Bush para começar seus próprios pronunciamentos no idioma.
O senador democrata John Kerry também fez um pronunciamento em espanhol este mês. Kerry, outro possível candidato presidencial para 2004, disse que a política tem pouca relação com seu interesse em falar fluentemente o idioma. No entanto, reconheceu que ''é preciso estar cego para não compreender a transição demográfica de nosso país. E o impacto será enorme''. Kerry, que é filho de um diplomata norte-americano, fala italiano e francês fluentemente, assim como um pouco de alemão e vietnamita. Há pouco mais de um ano, ele começou a estudar espanhol, ao colocar-se à frente de uma força de trabalho dirigida em conjunto com o senador Jeff Bingaman e que tem como objetivo organizar reuniões de parlamentares com líderes da comunidade hispânica.
O senador John McCain, que tentou sem êxito a indicação presidencial republicana de 2000, sabe espanhol, mas fala raramente porque acha seu sotaque deficiente.

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