Policial será investigado por assassinato de Jean
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terça-feira, 29 de novembro de 2005
France Presse 
Londres - O chefe da polícia metropolitana britânica, Ian Blair, vai ser investigado sobre o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto numa estação de metrô de Londres por policiais que o tomaram por um terrorista, informou ontem a Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC), encarregada do caso.
Anunciou que a investigação sobre o chefe de Scotland Yard será feita como parte de uma queixa ''formal'' apresentada no mês passado pela família de Jean Charles de Menezes, 27 anos, crivado de balas em 22 de julho passado pela polícia em uma estação de metrô de Londres.
A comissão que investiga esse caso destacou que, no texto, os pais do brasileiro alegam que Ian Blair os ''enganou'', assim como ao público, ao divulgar deliberadamente falsas informações sobre a morte de Jean Charles, baleado sete vezes na cabeça na estação de Stockwell, no sul de Londres.
Na queixa, os pais e o irmão do jovem brasileiro, que viajaram a Londres em setembro e pediram várias vezes que os culpados sejam punidos e que Ian Blair renuncie, acusaram o chefe da polícia de ocultar informações.
No início do caso, a Polícia Metropolitana afirmava que o brasileiro havia se comportado de maneira suspeita, e que estava vestido com roupas de inverno como se quisesse esconder algo.
Nenhuma dessas alegações era verdadeira, e a polícia teve de admitir que o brasileiro era um simples eletricista que estava indo, como todas as manhãs, a seu trabalho, no dia seguinte a uma tentativa fracassada de um grupo terrorista de repetir os atentados que deixaram 56 mortos em Londres em 7 de julho.
O anúncio de que o chefe de Scotland Yard será investigado foi divulgada no dia seguinte à publicação pelo jornal The Su© nday Times da notícia de que os policiais que assassinaram Jean Charles não serão julgados.
Citando ''fontes próximas à investigação'', o jornal afirmou que os altos representantes da Polícia Metropolitana e do governo estavam convencidos de que a promotoria aceitará os argumentos apresentados pela defesa dos dois agentes.
Segundo o jornal, a defesa explicará que os dois policiais ''acreditavam sinceramente'' que o brasileiro era um terrorista, e que eles utilizaram uma ''força razoável'' para neutralizá-lo sem que isto acarretasse risco para a população. Os dois agentes que mataram o brasileiro foram interrogados na semana passada por investigadores da comissão independente.


