Policiais lacram portas da embaixada
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sexta-feira, 24 de janeiro de 1997
Reuter, 
de Lima
France PresseVigilânciaO policiamento ao redor de todo o prédio da embaixada está aumentando enquanto cresce a tensão no local
Agentes da polícia peruana lacraram ontem, pregando madeiras do lado de fora, duas portas da residência do embaixador japonês em Lima, onde rebeldes do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) mantêm 73 reféns desde o dia 17 de dezembro. Os policiais, que já têm acesso ao jardim da propriedade, lacraram também uma das janelas da mansão. A operação foi realizada na madrugada de ontem com o auxílio de carpinteiros. Apenas a porta principal da casa, por onde passam funcionários da Cruz Vermelha, mediadores e reféns libertados, foi mantida aberta.
Os guerrilheiros não reagiram à ação policial, realizada após dois dias de intensa movimentação de soldados, blindados e helicópteros da polícia nas proximidades da casa. Somente depois de alguns minutos, os rebeldes gritaram, do interior da residência que resistirão até a morte, se necessário.
Seguiremos aqui até o final; não desistiremos de nossas intenções, gritou um dos sequestradores. As autoridades peruanas não quiseram dar explicações sobre o motivo do fechamento das portas. Mais tarde, por meio de uma transmissão de radioamador, o líder dos rebeldes, Néstor Cerpa Cartolini, advertiu que a vida dos reféns estará em perigo se o governo peruano tentar libertá-los à força.
Pela manhã, trabalhadores da Cruz Vermelha pintaram no chão, na frente da entrada principal da residência, faixas para delimitar uma zona de segurança, por onde poderiam transitar reféns e Cerpa Cartolini - para sair até uma sede neutra de negociações.
Os contatos entre Cerpa e o governo - mediados por uma comissão aceita pelas duas partes - se realizariam numa outra casa, na mesma rua da sede diplomática tomada. A comissão mediadora seria formada pelo representante da Cruz Vermelha Internacional no Peru, Michel Minnig, pelo arcebispo de Ayacucho, José Luis Cipriani, e pelo embaixador do Canadá em Lima, Anthony Vincent.
Mas o diálogo, paralisado desde o começo do mês, continuava difícil ontem. Numa entrevista, o presidente Alberto Fujimori reiterou que não autorizará o negociador do governo, o ministro da Educação Domingo Palermo, a conversar com Cerpa enquanto os sequestradores não retirarem suas exigências para a libertação de mais de 400 militantes do MRTA que cumprem penas em prisões peruanas. O presidente declarou também que autorizaria uma ofensiva da polícia contra os guerrilheiros se, por exemplo, um refém sofresse um ataque de peritonite e morresse.
Fujimori reafirmou que a proposta de oferecer anistia e possibilidade de exílio aos rebeldes estava mantida, como forma de obter uma saída pacífica para a crise. O grupo de Cerpa não vai impor condições ao governo, disse o presidente.


