São Paulo - A cidade boliviana de Cochabamba voltou a enfrentar ontem choques entre a polícia e manifestantes que protestavam contra o governador Manfred Reyes Villa, um cenário que se repete há meses na província. Também ontem, a Assembléia Constituinte da Bolívia retomou os trabalhos, mas não há esperanças de um acordo para pôr fim ao impasse entre o governo e a oposição neste fórum.
Os confrontos em Cochabamba ocorreram durante uma manifestação de camponeses próximos ao governo do presidente Evo Morales e deixaram um número ainda indeterminado de feridos. Os camponeses pediam a renúncia do governador e foram reprimidos pelas forças policiais com gás lacrimogêneo.
Reyes Villa, opositor do governo de Morales e que reivindica a autonomia de sua Província, afirmou que havia ''vários policiais feridos'' pelas pedras lançadas pelos camponeses durante o confronto. ''Pedem minha renúncia, mas não renunciarei'', disse Villa.
A ministra do Interior da Bolívia, Alicia MuÀoz, afirmou que a ação da polícia foi feita sem sua autorização e que o comandante local da instituição, coronel Wilge Obleas, foi destituído do cargo por ''reprimir o povo''.
Movimentos sociais fazem vigília na praça principal de Cochabamba e anunciaram bloqueios em estradas para os próximos dias, em uma tentativa de forçar a renúncia de Reyes Villa. Os protestos são motivados, entre outros motivos, pela decisão do governador de convocar um referendo para aprovar a autonomia econômica regional.
A Assembléia Constituinte, que deverá aprovar uma Carta Magna para a Bolívia ainda em 2007, retomou ontem seus trabalhos sem avançar nas negociações para acabar com o impasse que bloqueou suas deliberações em 2006. A liderança da assembléia se reuniu ontem na cidade de Sucre para discutir com governistas e oposição uma agenda de trabalho.
A constituinte foi instalada em 6 de agosto de 2006 e gerou uma grave crise política devido às divergências quanto a seu sistema de votação. Enquanto o governo defende a aprovação de medidas por meio de uma maioria simples, a oposição insiste no sistema de dois terços dos votos para aprovar leis. O sistema de votação é crucial, pois pode significar a vitória ou o fracasso de Morales em aprofundar as reformas que defende para a Bolívia.

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