A misteriosa morte do vice-ministro de Comércio do México, Raúl Ramos Tercero, que apareceu degolado em um bosque nos arredores da capital mexicana, despertou especulações por vários motivos - entre os quais por seus vínculos com o ex-torturador argentino Ricardo Cavallo.
Levantou-se a hipótese de a morte do funcionário, de 45 anos – atribuída pelas autoridades a suicídio – estar vinculada ao fracasso do Registro Nacional de Veículos (Renave).
O Renave está a ponto de ser abolido pelo Congresso em parte pelo seu grau de rejeição popular, mas sobretudo devido à prisão de Cavallo, diretor da empresa que ganhou a concessão para explorar o programa até 24 de agosto - data de sua prisão.
O cancelamento do Renave poderá implicar na abertura de um processo dos proprietários de automóveis, o que daria ao governo uma despesa estimada em US$ 100 milhões em indenizações.
Cavallo foi detido no México pela Interpol após a revelação de que em lugar de um pacífico empresário argentino, tratava-se de um capitão de Marinha na reserva, envolvido em tortura e desaparecimento de pessoas durante a última ditadura na Argentina (1976-1983).
Junto ao cadáver de Ramos Tercero, havia documentos relacionados com o Renave e seis cartas póstumas, dirigidas a seus pais, a sua esposa, ao diretor do Reforma, Alejandro Junco; ao ministro do Comércio, Herminio Blanco; à auditora do ministério e ao senador de centro-direita Javier Corral.
De acordo com a Procuradoria, Ramos Tercero se suicidou entre as 15 e as 17 horas de quarta-feira, cortando a jugular com uma navalha.

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