Polícia suspeita de reféns em sequestro
Associated Press
De Stansted, Inglaterra
O Boeing 727 da companhia afegã Ariana Airlines, sequestrado no domingo quando fazia a rota Cabul-Mazar-i-Sharif, parecia ontem fadado a permanecer em terra, no aeroporto londrino de Stansted, sem ninguém competente a bordo para pilotá-lo depois que quatro membros da tripulação o piloto, o co-piloto, um navegador e um engenheiro de vôo fugiram na terça-feira à noite.
A descoberta da fuga dos tripulantes, que usaram uma corda para descer pela janela da cabine, irritou profundamente os sequestradores, que se exaltaram e se recusaram a continuar de madrugada a manter negociações com os representantes britânicos. Às 3 horas locais (1h de Brasília), um comissário de bordo foi jogado do avião pelos sequestradores. O homem teve alguns ferimentos ao rolar pelas escadas. Os cinco tripulantes, todos afegãos, descansaram pela manhã e à tarde deveriam prestar declarações à polícia sobre a real situação a bordo do Boeing.
Segundo John Broughton, vice-chefe da polícia de Essex, o diálogo foi retomado ontem pela manhã e os negociadores estavam tentando restabelecer a confiança que haviam conquistado dos sequestradores. Vamos tentar reconstruir a atmosfera de profissionalismo que existia antes, mas vai ser difícil, disse ele.
Após o incidente de terça-feira, já são 14 as pessoas que abandonaram o avião da Ariana desde que ele pousou no Aeroporto de Stansted na segunda-feira depois de ele realizar paradas no Casaquistão, Usbequistão e Moscou e libertar outros 22 reféns.
A polícia de Essex negou-se a precisar quais são exatamente as exigências dos sequestradores, ao indicar que não divulgará informações sensíveis que possam pôr em risco o bem-estar dos reféns. Nos últimos dias, divulgou-se a informação de que os piratas aéreos queriam a libertação do líder da oposição afegã, Ismail Khan, detido em 1997 pelo governo integrista islâmico Taleban. No entanto, agora aumentam as especulações de que os sequestradores querem, na verdade, obter asilo na Grã-Bretanha.
A presença desde terça-feira em Stansted de Hope Hanlan, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), intensificou os rumores sobre a possibilidade de o grupo armado negociar sua rendição em troca de asilo.
O presidente da Ariana Airlines, Mullah Hamidullah, foi mais longe ao informar que cerca de 40 das mais de 150 pessoas a bordo talvez sejam cúmplices dos sequestradores. Segundo ele, um comissário de bordo libertado no domingo no Usbequistão disse ter visto oito sequestradores armados com pistolas, granadas e facas e desconfiado da ligação deles com um grupo que dizia ser da mesma família e estar indo a um casamento em Mazar-i-Sharif. O governo do Taleban interrogou ontem os funcionários do Aeroporto de Cabul e prendeu três pessoas suspeitas de ter ligação com o sequestro.Membros da tripulação escaparam na terça à noite do Boeing afegão retido na Inglaterra. Irritação de sequestradores prejudica negociações
France PresseO Boeing da Ariana parecia fadado ontem a permanecer em terra, sem ninguém a bordo para pilotá-lo, depois que quatro membros da tripulação fugiram





