Polícia sérvia avança; refugiados se escondem
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
France Presse 
Centenas de pessoas se escondiam ontem nas florestas e colinas de Crnovrano, uma aldeia do centro de Kosovo (sul da Sérvia), depois de fugirem da região vizinha de Malisevo em seguida ao avanço da polícia sérvia na região.
São várias centenas, possivelmente milhares de pessoas escondidas em dezenas de kms2 nos arredores de Crnovrano, perto de Malisevo, baluarte dos rebeldes albaneses, em mãos das forças de Belgrado.
Quinta-feira, a porta-voz do Alto Comissariado para os Refugiados (ACNUR) havia declarado que se temia uma tragédia humanitária.
As famílias, com frequência compostas por dezenas de pessoas, em maioria mulheres e crianças, aglomeram-se nas clareiras dos bosques. Os camponeses que tiveram a sorte de fugir com seus tratores os camuflaram sob montes de galhos de árvores. Os poucos colchões são reservados aos bebês e crianças que apresentam problemas devido ao extremo calor.
Não estamos muito seguros aqui porque a estrada está muito próxima, mas é o único lugar dos arredores onde existe água, contou um refugiado de 34 anos de idade, que não quis se identificar, acrescentando que o problema é que com as dezenas de milhares de pessoas que chegam a fonte vai secar.
O eco das metralhadoras e explosões de uma colina próxima cria um clima de grande inquietação.
Desde o começo da ofensiva sérvia, dia 25 de julho, Malisevo, autoproclamada há vários meses território liberado, viu chegar milhares de habitantes albaneses dos arredores. Dois dias depois, este centro agrícola caía em mãos sérvias sem combate.
Os primeiros refugiados nos contaram os horrores cometidos pelos sérvios. Isso foi suficiente para fazer todo o mundo fugir apenas se ouviu o primeiro obus, contou uma mulher de 31 anos.
Apesar de parecerem estar próximas as primeiras linhas de defesa do Exército de Libertação de Kosovo (UCK), nenhum dos refugiados usa armas.
Para voltar a seus lares todos exigem que a polícia sérvia se retire. Mas só uma intervenção de países estrangeiros poderá nos salvar, destacou um dos refugiados.


