São Paulo - Autoridades que investigam a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, ocorrida em 22 de julho do ano passado na estação de metrô de Londres, receberam evidências de que a polícia sabia no mesmo dia da morte que a vítima era inocente, segundo reportagem do jornal ''The Guardian''.
As evidências contrariam o depoimento do chefe da polícia britânica, Ian Blair, que afirmou, em diversas ocasiões, que não sabia que Jean Charles não era um terrorista até 24 horas depois da morte do brasileiro.
No entanto, segundo o ''Guardian'', várias testemunhas contaram à Comissão Independente de Queixas Policiais (IPCC) que, horas depois da morte de Jean Charles, autoridades já temiam ter matado um homem inocente.
As testemunhas que estavam na sede da Scotland Yard em 22 de julho relataram ter presenciado discussões e planejamentos a respeito das ações a serem tomadas após a morte por engano.
A IPCC realiza um inquérito para avaliar a conduta de Ian Blair no caso. É a segunda investigação a respeito da morte do brasileiro, e foi aberta a pedido da família de Jean Charles. Parentes acreditam que Blair e outras autoridades divulgaram publicamente uma versão falsa sobre o caso.
As revelações do ''Guardian'' acontecem durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Reino Unido. Lula deve se reunir com familiares de Jean Charles no aeroporto de Heathrow, em Londres.
Durante a entrevista coletiva ao lado de Blair, Lula informou que discutiu o caso de Jean Charles de Menezes. Blair reafirmou ''seu profundo pesar'' à família de Menezes pelo incidente. Já o presidente Lula disse que tem confiança no encaminhamento do caso no Reino Unido. ''Trabalhamos com a confiança de que o governo e a Justiça do Reino Unido vão apurar o que tiver de ser apurado e fazer o que tiver de ser feito'', comentou o presidente. ''Queremos que haja justiça e que possamos desvendar o que aconteceu.'' Lula acrescentou ''que esse é o tipo de incidente que ninguém quer que aconteça, seja no Brasil, seja no Reino Unido''.
Segundo Harriet Wistrich, advogada da família, avaliar o que Ian Blair sabia no dia da morte é um ''ponto chave'' do inquérito. ''Ele fez declarações no dia a morte que não eram totalmente verdadeiras. É preciso apurar se ele não sabia da verdade ou se as informações foram mudadas para não parecerem tão ruins para a imagem da polícia'', afirmou.

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