Associated Press
De Moscou
A polícia russa intensificou ontem uma operação de segurança na qual 11 mil pessoas já foram detidas, entre elas 30 suspeitos de envolvimento numa onda de atentados explosivos atribuída a militantes islâmicos. Ao mesmo tempo, cidadãos comuns estão formando patrulhas de ruas e informando à polícia sobre pessoas e atividades suspeitas.
Chechenos e outros da região caucasiana dizem que estão sendo injustamente escolhidos para interrogatórios, discriminados, e mesmo despejados. ‘‘Todo dia somos levados para delegacias de polícia, alguns dias, vários vezes – mesmo aqueles que estão oficialmente registrados (como vivendo em Moscou)’’, disse Mekhman Guseinov, um azeri que vende jaquetas de couro e sapatos num mercado aberto no centro de Moscou.
O governo do presidente Boris Yeltsin tem sofrido uma pressão cada vez maior para apresentar resultados em sua investigação sobre as explosões que destruíram quatro prédios residenciais nas últimas duas semanas, matando cerca de 300 pessoas. Autoridades têm acusado chechenos e outros militantes islâmicos que estão combatendo forças russas na região sulista de Daguestão pelos ataques terroristas.
Ainda assim, a grande maioria dos detidos foi pega por razões completamentes desvinculadas da campanha terrorista depois que a polícia começou a parar a esmo pessoas nos metrôs, em mercados e edifícios para checar documentos e procurar pistas sobre as explosões. O líder da comunidade chechena Zhabrail Gakayev afirmou ao jornal que 520 chechenos foram detidos apenas em Moscou nos últimos três dias, mas ‘‘99% dessas pessoas são completamente inocentes’’.
Dois suspeitos de envolvimento em dois atentados contra prédios residenciais em Moscou foram detidos, anunciaram ontem autoridades. Eles foram identificados como sendo Timur Dakhkilgov, 32 anos, e Bekmars Sautiyev, 40 anos, dois parentes originários da Chechênia, reportou a agência de notícias Interfax.
A televisão NTV divulgou que traços de hexogeno, um pó explosivo usado nos atentados, foram encontrados no apartamento de Sautiyev e nas mãos de Dakhkilgov. Sautiyev disse que tudo foi armação da polícia.
Em Washington, o presidente Bill Clinton prometeu que os Estados Unidos irão ajudar a Rússia a combater o terrorismo. ‘‘A América está pronta para trabalhar com a Rússia a fim de proteger nossos cidadãos desta ameaça comum’’, disse Clinton.

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