Polícia revista casa de copiloto que derrubou A320
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quinta-feira, 26 de março de 2015
Leandro Colon, enviadao especial<br> Folhapress 
Paris, França Um ato proposital do copiloto derrubou o Airbus A320 da Germanwings com 150 pessoas a bordo na última terça, aponta investigação das autoridades da França. Segundo o promotor de Justiça de Marselha, Brice Robin, o copiloto Andreas Lubitz, 28, impediu voluntariamente a volta do piloto à cabine e agiu intencionalmente para fazer o avião se chocar contra os Alpes franceses.
"Enquanto estava sozinho, o copiloto pressionou o botão para pôr o avião em descida. É uma ação em altitude que só pode ocorrer de forma deliberada", disse o promotor.
O gesto do copiloto, acrescentou Robin, mostra "tentativa de destruir o avião".
A autoridade francesa afirmou que não há, por enquanto, elementos que expliquem a atitude. Policiais fizeram ontem uma revista na casa do copiloto em Düsseldorf, cidade da Alemanha que era o destino do voo.
As informações foram obtidas pela gravação de áudio da caixa-preta encontrada em meio aos destroços. O voo 9525 fazia a rota de Barcelona (Espanha) a Düsseldorf com 144 passageiros e seis tripulantes todos morreram.
O avião caiu por volta das 11h (7h, horário de Brasília) de terça após uma repentina descida de quase dez minutos em direção às montanhas, sem alerta de emergência.
A análise da caixa-preta contendo os últimos 30 minutos de conversas na cabine revela que, por 20 minutos, comandante e copiloto conversaram normalmente.
Em seguida, ouve-se um ruído de cadeira e o piloto deixa a cabine. Quando fica sozinho, o copiloto começa a descer o avião, descreve o promotor. Ao perceber a perda de altitude, o comandante faz vários apelos para que o copiloto abra a porta.
Na gravação, disse Robin, ouve-se a respiração de Lubitz, e ela é normal. "Não é de uma pessoa passando mal." Nos últimos minutos, ouvem-se pessoas dando socos na porta da cabine e tentando abrir a porta blindada segundo as autoridades, as vozes eram do comandante e de um membro da tripulação. Em nenhum momento o copiloto responde. Os gritos de desespero dos passageiros só são ouvidos alguns instantes antes do choque fatal. O Airbus A320 se espatifou contra a montanha a 750 km/h. O promotor disse que não vê a queda do A320 como um suicídio. "Quando se é responsável por 150 pessoas, eu não chamo isso de suicídio."
O copiloto Andreas Lubitz havia sido aprovado em todos os exames médicos, disse ontem Carsten Spohr, diretor-executivo da Lufthansa, gigante alemã dona da Germanwings, empresa que oferece passagens de baixo custo. Contratado pela empresa em 2013, Lubitz tinha 630 horas de voo no currículo e um histórico de viagens regular.


