Polícia reprime marcha em Caracas
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de janeiro de 2003
France Presse 
Caracas Policiais militares e agentes da Guarda Nacional (GN) usaram, na tarde de ontem, bombas de gás lacrimogêneo contra uma multidão em passeata, que tentava chegar até a maior fortaleza militar em Caracas.
Um tiroteio foi registrado, também, perto de um forte militar, deixando pelo menos uma pessoa ferida.
A oposição conservadora venezuelana iniciou na manhã de ontem suas concentrações para a grande marcha contra o presidente Hugo Chávez, programada para chegar ao Forte Tiuna, principal fortaleza militar de Caracas.
O percurso da manifestação (ao sudoeste da capital) inluia áreas muito populares e identificadas como favoráveis ao governo do presidente Hugo Chávez.
Paralelamente, partidários de Chávez se concentraram em Los Próceres, um parque público que leva ao Forte Tiuna, para esperar a marcha da oposição com cartazes e palavras-de-ordem contra ela.
Chávez ameaça O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ontem que ainda não foi necessário tomar medidas excepcionais para enfrentar os problemas no país, agravados por uma greve de 33 dias, mas que elas poderão ser adotadas, se a oposição o obrigar. Segundo o presidente, essas medidas estão estabelecidas na própria Constituição.
''Pela lei, sou obrigado a proteger o povo, a proteger a ordem pública, a segurança, a soberania e a defesa do país'', disse Chávez durante uma entrevista à imprensa.
A Constituição venezuelana estabelece a possibilidade de o presidente decretar estado de exceção em três situações: alarme em casos de catástrofes públicas, emergência econômica e comoção interna ou externa.
Posiçáo dos EUA Os Estados Unidos pediram ontem ao governo e à oposição da Venezuela que negociem com a ''máxima flexibilidade'' sob a mediação da OEA. Consideraram desnecessária a formação de um grupo de países amigos, uma iniciativa estimulada pelo presidente Hugo Chávez para resolver a crise política do país sudamericano.
''Estamos satisfeitos com o reinício do diálogo dirigido pelo secretário-geral da OEA, César Gaviria'', anunciou o porta-voz do departamento de Estado, Richard Boucher.
Segundo o portavoz, ''não entendemos que seja necessária a formação de um grupo de países amigos, como anunciou na véspera, em Brasília, o presidente venezuelano Hugo Chávez, paralelamente à cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


