A polícia da Irlanda do Norte utilizou jatos d’água para impedir que manifestantes protestantes invadissem ontem um bairro católico em Drumcree, a 50 quilômetros de Belfast, capital da província britânica.
Os extremistas mostraram, pelo terceiro dia consecutivo, sua fúria contra a proibição por parte das autoridades da passagem das centenárias marchas protestantes por áreas católicas.
Em Portadown, cidade localizada cerca de 30 quilômetros ao sudoeste de Belfast, foram registrados graves distúrbios, com centenas de manifestantes recebendo a polícia a pedradas e incendiando carros.
Na capital, as ruas amanheceram cobertas por estilhaços de vidro, resultado de mais uma noite de confrontos entre policiais e manifestantes contrários aos católicos. Durante o dia, os manifestantes bloquearam estradas, causando engarrafamentos na capital da província.
No final da tarde, helicópteros da polícia continuaram a sobrevoar Portadown mesmo após o tumulto ter sido controlado e carros blindados permaneceram perfilados a algumas dezenas de metros da igreja anglicana de Drumcree.
Os confrontos aconteceram poucos dias após a Ordem de Orange, grupo protestante legalizado, ter sido proibida de fazer uma passeata por um bairro católico em Portadown.
A marcha tradicionalmente começa em Portadown, segue até a igreja de Drumcree e retorna a Portadown passando por uma área predominantemente católica, ao longo de Garvaghy Road.
Segundo o comando da polícia, durante o dia, manifestantes de toda a província lançaram bombas de fabricação caseira contra suas tropas. Em Belfast, a fumaça preta de veículos em chamas e a explosão de fogos de artifício desenharam um cenário de guerra.
Líderes da Ordem de Orange negaram qualquer responsabilidade pela violência. Entretanto, policiais afirmaram ter visto representantes da organização de braços cruzados enquanto assistiam à violência.
As marchas marcam a vitória, em batalha realizada em 12 de julho de 1690, do rei protestante William de Orange sobre o rei católico James II.

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