Polícia reprime grevistas no Paraguai
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quinta-feira, 22 de junho de 2000
France Presse - De Assunção e Emerson Cervi - De Foz do Iguaçu 
Cerca de vinte pessoas ficaram feridas em confronto com a polícia, que reprimiu violentamente uma greve geral, iniciada ontem, no Paraguai. Percio Duarte, secretário-geral da União Sindical dos Transporte, denunciou que cinco de seus companheiros foram detidos e pelo menos 10 ficaram feridos devido à ação da polícia antimotins. Segundo o sindicalista, a adesão à greve é de 99%.
Vários jornalistas ficaram feridos, entre eles um fotógrafo da France Presse. A polícia antimotim, apoiada pela polícia montada, avançou contra cerca de 300 trabalhadores na Rua Ultima, que divide Assunção da cidade vizinha de Fernando de la Mora, com jatos dágua, golpes de cassetete, pontapés e bombas de gás lacrimogêneo, incidente que foi transmitido pela televisão. O distúrbio aconteceu perto de um terminal de ônibus e na Avenida Artigas, que liga a capital aos bairros ao Norte.
Apesar de os manifestantes pedirem que os funcionários de todas as empresas do país cruzassem os braços, os comerciantes de Ciudad del Este, fronteira com o Brasil, insistiram em abrir as lojas para receber os sacoleiros brasileiros.
Durante a manhã de ontem, cerca de 800 grevistas participaram de um passeata na principal avenida da cidade, tentando pressionar os funcionários dos shoppings a aderir ao movimento. Cerca de 30 agentes da Força de Operações Especiais (Fope) foram escalados para intimidar o protesto, mas acabaram provocando um confronto entre policiais e manifestantes durante a tarde. Além de tiros com balas de borracha e do uso de gás lacrimogênio, o conflito resultou na prisão de três líderes sindicais.
Alguns passageiros que estavam em linhas coletivas Foz/Ciudad del Este sofreram ferimentos leves. Não foi confirmado se brasileiros estariam envolvidos no confronto. Enquanto ônibus eram depredados na fronteira, em Fernando de la Mora, cidade interiorana do Paraguai, outros dois coletivos foram queimados.
Além de sindicalistas e funcionários públicos, participam da greve o Movimento dos Campesinos (movimento de sem-terra), motoristas de ônibus e transportadoras e operários da construção civil.


