Polícia reprime ativistas contrários a Milosevic
Associated Presse
De Belgrado
A polícia impediu que ativistas antigovernamentais recolhessem ontem em Belgrado assinaturas para uma declaração exigindo a renúncia do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, enquanto, a 70 quilômetros dali, em Valjevo, 7 mil pessoas saíam às ruas em protesto contra o dirigente.
Apesar da proibição policial, os organizadores do abaixo-assinado, entre eles o oposicionista Partido Democrático (PD), coletaram 3 mil assinaturas antes de ser obrigados a desmontar os 22 postos que haviam espalhado pela capital. Vladan Batic, um dirigente da Aliança pela Mudança, que inclui o PD, garantiu que, desde a semana passada, já foram recolhidas 180 mil assinaturas em várias cidades. Ele espera chegar aos 2 milhões até o fim do mês. Apresentaremos o abaixo-assinado ao Parlamento como uma iniciativa dos cidadãos para a renúncia de Milosevic, assinalou.
Além dessa iniciativa, a oposição continua organizando protestos de rua contra o presidente, indiciado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPI). Na manifestação de Valjevo, houve um pequeno confronto com a polícia quando parte da multidão tentou invadir o prédio da prefeitura local. Alguns conseguiram entrar pelas janelas, mas foram expulsos em seguida por cerca de 20 policiais munidos de cassetetes. Revoltada, a multidão apedrejou o edifício. Não há notícias sobre feridos.
A promotora-chefe do TPI, Louise Harbour, visitará hoje locais de massacres de albaneses étnicos na província sérvia de Kosovo. Ela já adiantou que deverá indiciar Milosevic por mais crimes cometidos por suas forças durante o conflito na província, que efetivamente saiu do controle de Belgrado no mês passado, quando entrou na região uma força internacional de paz liderada pela Otan, a Kfor.
Um contingente russo da Kfor chegou ontem à vila de Kosovska Kamenica - no setor controlado por tropas dos EUA - sob protesto dos moradores de etnia albanesa. Russos, voltem para casa, gritavam cerca de 1,5 mil manifestantes, alguns dos quais chutavam os blindados russos que iam passando por eles. Os albaneses étnicos não confiam nos russos por causa da tradicional aliança entre Moscou e a Sérvia.
Apesar da persistência da desconfiança entre as duas principais comunidades de Kosovo, a prefeitura da capital regional, Pristina, foi reaberta nesta segunda-feira pela ONU com uma equipe mista de funcionários: 80 albaneses e 60 sérvios.





