A Força de Operações da Polícia Especializada (Fope) do Paraguai prendeu ontem 17 pessoas acusadas de portar documentação falsa e de envolvimento com grupos terroristas. Entre eles estava o bengalês muçulmano Abdul Bari Mridha, 43 anos, cujo mandado de busca e captura foi expedido pela Interpol.
As prisões ocorreram em Ciudad del Este, cidade próxima a Foz do Iguaçu, e Encarnación (distante 300 quilômetros da fronteira). Acompanhados de 30 agentes da Fope, os fiscais gerais de Justiça (equivalente a procuradores no Brasil), Marco Alcaraz e Carlos Calcena, realizaram buscas simultâneas atrás de ''suspeitos de origem libanesa'', segundo indicavam as determinações emitidas de Assunção. ''A ordem não é específica, mas o texto cita falsificação de documentos e ligações com atos terroristas'', afirmou Alcaraz, destacando que o suposto envolvimento seria em atentados anteriores aos ocorridos nos Estados Unidos. Mridha foi preso por policiais encapuzados, que invadiram a loja de produtos eletrônicos mantida por ele juntamente com a esposa paraguaia Isolina Cardoso. Ela contestou a ação dos agentes federais, dizendo que houve ''confusão entre nomes semelhantes''.
O grupo comandado por Alcaraz investigou ainda oito lojas de Ciudad del Este em busca de outros três suspeitos. São eles Wissan Attoui Attoui, acusado de usar passaporte falso da Colômbia, e uma mulher chamada Souzan Ali Kashmar (a terceira pessoa não teve o nome divulgado). Segundo o procurador, Souzan estaria vivendo em Foz do Iguaçu. ''Temos informações seguras que eles residem no Brasil. Vamos enviar um pedido à Polícia Federal para nos auxiliar nas buscas'', comentou Alcaraz. O delegado-chefe da PF em Foz, Joaquim Cláudio Figueiredo Mesquita, disse ontem não ter recebido qualquer informação oficial vinda do Paraguai. ''Até o final da tarde, não foi passado qualquer documento sobre o assunto'', resumiu o delegado.
Em Encarnación, o procurador Calcena e outros 20 policiais prenderam 15 pessoas, todas de origem libanesa e acusadas de portar documentação irregular. O grupo ainda deteve o irmão de um dos suspeitos, por ter questionado a ação policial com os agentes.

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