A polícia israelense invadiu ontem o complexo da mesquita al-Aqsa em Jerusalém para enfrentar palestinos que arremessavam pedras contra judeus no Muro das Lamentações, no lugar onde o novo levante palestino começou, em setembro.
Em um dos piores enfrentamentos na Esplanada das Mesquitas (al-Haram al-Sharif), conhecida como Monte do Templo entre os judeus, nos dez meses de conflito, centenas de policiais antidistúrbios dispararam balas de metal revestidas de borracha, lançaram bombas de gás lacrimogêneo e usaram bastões ou os cabos de seus fuzis para fazer os palestinos recuarem, disseram testemunhas.
A polícia israelense não entrou na mesquita de al-Aqsa e o chefe da polícia de Jerusalém, Mickey Levy, negou que seus homens tivessem disparado balas de borracha. Mas fontes do hospital palestino disseram que 35 palestinos ficaram feridos. Segundo a polícia de Israel, 15 de seus agentes foram feridos.
Centenas de manifestantes que haviam tomado o santuário durante o enfrentamento deixaram a mesquita pacificamente depois de negociações com a polícia israelense, mediadas pelo deputado árabe-israelense Ahmed Tibi.
O fim dos confrontos restaurou a precária paz no local altamente sensível, reverenciado pelos judeus como o lugar onde haviam dois templos bíblicos. A área agora abriga duas mesquitas, al-Aqsa (o terceiro lugar mais sagrado para o islamismo) e o Domo da Rocha. Israel ocupou a área quando capturou Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
O novo levante palestino começou em setembro após o então líder da oposição e atual primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, visitar o complexo.
O dia de violência começou depois que um grupo judeu radical, conhecido como Os Fiéis do Monte do Templo, anunciou seu plano de colocar a pedra de fundação de um terceiro templo hoje, dia judaico anual que relembra a destruição dos dois primeiros templos. Os judeus foram proibidos por importantes rabinos de visitar o Monte do Templo sob a alegação de que eles manchariam o lugar santificado. Mas o grupo acredita que construindo um terceiro templo estaria adiantando a vinda do Messias. Um tribunal israelense bloqueou o ato simbólico.

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