A Polícia Civil poderá investigar se houve motivações políticas por trás do protesto contra o aumento da tarifa de transporte coletivo (de R$ 1,35 para R$ 1,60) realizado no Terminal Urbano na sexta-feira, que teve como saldo dois ônibus depredados e um portador de deficiência, de 21 anos, atropelado. A informação foi dada pelo delegado do 1º Distrito Policial (DP), Marcos Belinati, que hoje deve tomar os primeiros depoimentos do inquérito que apura responsabilidades pelo tumulto.
  ‘‘Temos a idéia de, junto com a Polícia Militar, infiltrar policiais no meio de manifestantes em protestos. Com isso, vamos tentar apurar, entre outras coisas, se haveria interesses políticos por trás de algumas manifestações. Já ouvi comentários sobre isso’’, disse o delegado. Hoje, Belinati deve ouvir as primeiras testemunhas do tumulto de sexta-feira.
  Entre outros, serão chamados a depor Neri Soares da Silva, motorista do ônibus que atropelou Anderson Amaurílio da Silva, 21 anos, durante a confusão, líderes estudantis, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, e o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães. O delegado também irá requerer à imprensa fitas com imagens da depredação dos ônibus para que os vândalos sejam identificados.
  ‘‘Acredito que, se os responsáveis pela confusão forem apontados logo, isso irá evitar que novos tumultos aconteçam’’, disse Belinati. Sobre o motorista que atropelou Amaurílio, o delegado afirmou que acredita que ‘‘não houve intenção’’. ‘‘Há indícios de imprudência, de negligência, vamos investigar’’, disse o delegado.
  Desde sexta-feira, surgiram boatos na cidade de que grupos políticos usariam estudantes como massa de manobra para novos protestos a partir desta segunda-feira. A Folha recebeu telefonemas denunciando que um piquete estava sendo organizado para a manhã de hoje nas saídas das garagens da Francovig e da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). O capitão Sérgio Dalbem, do 5º BPM, também recebeu informações deste tipo.
  ‘‘Foram tantos comentários que fica difícil saber o que é falso e o que é verdadeiro’’, disse Dalbem. Na dúvida, a PM está mantendo viaturas nas regiões das garagens das empresas, do Terminal Urbano e dos terminais de bairro. Dalbem explica que a intenção é evitar novos tumultos, mas não necessariamente coibir manifestações que impeçam saída de ônibus. ‘‘Se pudermos evitar piquetes, ótimo. Mas se isso significar um confronto, vamos apenas acompanhar’’, afirmou.
  A Francovig informou, por meio de sua assessoria, que não acredita que piquetes sejam realizados hoje em virtude da decisão do juiz substituto, Álvaro Rodrigues Júnior, que na sexta-feira indeferiu pedido liminar do Ministério Público que requisitava a revogação do reajuste da tarifa. Por isso, a empresa não montou esquema especial de segurança em sua garagem. A assessora da TCGL não foi localizada ontem pela reportagem.

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