Polícia intervém contra manifestantes
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de dezembro de 1996
France Presse 
SEUL - A polícia antidistúrbios sul-coreana utilizou ontem bombas de gás lacrimogêneo para impedir que manifestantes atravessassem a capital e se reunissem diante da catedral Myongdong, enquanto a greve geral que atinge vários setores - automotriz, naval e sanitário - se estendia aos engenheiros do metrô de Seul.
Os cerca de 5 mil manifestantes reclamavam a abolição de uma nova lei escravagista adotada há dois dias no Parlamento pelos deputados do partido no poder na ausência dos deputados da oposição. A lei facilita as demissões, o aumento das horas de trabalho e a substituição dos grevistas por trabalhadores eventuais.
À medida que as horas passavam ontem, os trens do metrô em circulação, conduzidos por substitutos e engenheiros, se tornavam mais raros. Quase quatro milhões de pessoas utilizam o metrô diariamente em Seul.
Em entrevista à imprensa, o primeiro-ministro Lee Hong-Koo fez um apelo para que os grevistas ponham fim à paralisação, afirmando que ela coloca em perigo a economia do país.
Cerca de 360 mil pessoas não foram trabalhar ontem em todo o país. Este movimento social, o maior na Coréia do Sul nos últimos dez anos, provocou o fechamento de cinco importantes estaleiros e seis fábricas de automóveis. Afeta também os setores têxtil, químico, metalúrgico e mineiro, bem como os hospitais, que se limitam a atender os casos de emergência. Os sindicatos decidiram não cortar as linhas telefônicas, o fornecimento de gás e de energia elétrica para não serem alvo de revolta por parte da opinião pública.


