A informação divulgada ontem pela mídia nacional sobre a investigação de Sahar Mohamed Hassam Abud Hamanra, egípcia supostamente envolvida no atentado aos Estados Unidos e que estaria vivendo em Foz do Iguaçu, foi desmentida pela Polícia Federal. O delegado-chefe da PF em Foz, Joaquim Cláudio Figueiredo Mesquita, negou que houvesse qualquer operação ''antiterrorista'' na fronteira e chamou as notícias divulgadas por alguns jornais de ''especulação perigosa''.

Sahar foi presa na fronteira entre Brasil e Uruguai em 1999, juntamente com o marido El Said Hassam Mohamed Moklhes e outras três pessoas. O grupo portava passaportes falsos e foram acusados de envolvimento com terroristas do Oriente Médio. A egípcia foi liberada depois de prestar depoimento e disse que voltaria para Foz do Iguaçu, cidade onde morava.

Segundo Mesquita, mesmo que a mulher estivesse vivendo na fronteira com o Paraguai, não há qualquer processo aberto ou soliticação enviada de Brasília. ''Ainda não recebemos determinações para que ocorram buscas de terroristas na região'', declarou o delegado.

Mesmo negando qualquer operação especial em Foz, sabe-se que pelo menos seis investigadores foram enviados do Distrito Federal, possivelmente integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Alberto Cardoso, confirmou anteontem (durante um seminário em Campo Grande-MS) que agentes estão sendo mobilizados na fronteira, atrás de informações sobre possíveis árabes envolvidos com grupos terroristas.

Investigações realizadas pela Divisão de Repressão ao Crime Organizado e de Inquéritos Especiais (Dcoie), setor da PF que investiga máfias e evasão de divisas, apontam que a cidade é um dos principais locais usados para lavagem de dinheiro ilegal da América Latina. Mais de R$ 10 bilhões já teriam passado por Foz do Iguaçu e enviados para fora do País. A PF local, no entanto, jamais registrou atentados terroristas.

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