Polícia encontra 58 corpos de clandestinos no Porto de Dover
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segunda-feira, 19 de junho de 2000
France Presse De Londres 
A descoberta dos cadáveres de 58 imigrantes clandestinos de origem asiática ontem, no Porto de Dover, a bordo de um caminhão frigorífico holandês, causou consternação na Grã-Bretanha, agitada há meses por uma polêmica sobre a melhor forma de evitar a imigração ilegal.
Os corpos de 54 homens e quatro mulheres, todos adultos, foram descobertos na madrugada de ontem durante uma inspeção de rotina em uma área do estacionamento da zona portuária de Dover, principal porto de entrada no Reino Unido, inclusive para imigrantes clandestinos.
Os únicos dois sobreviventes, dois homens, foram transportados para um hospital dos arredores, mas suas vidas não correm perigo.
Segundo a polícia de Kent, os corpos foram encontrados na parte traseira do caminhão frigorífico de 18 metros de comprimento, com matrícula holandesa e que transportava tomates.
O veículo acabara de atravessar o Canal da Mancha a bordo de um ferry procedente do porto belga de Zeebrugge.
O motorista do veículo foi detido imediatamente e levado para interrogatório pela polícia. Segundo as primeiras constatações, as pessoas morreram asfixiadas no contêiner hermético, quando a temperatura exterior era de 30 graus.
O sistema de refrigeração não funcionava no interior do contêiner, onde os clandestinos estavam instalados, mas não amontoados, precisou um dos responsáveis da alfândega.
O ministro britânico do Interior Jack Straw se disse consternado depois da macabra descoberta, e defendeu a ação de seu governo nesse terreno.
É um fato absolutamente terrível. Estou consternado por todas essas vidas perdidas. Nosso pensamento vai para os familiares dos que morreram, declarou o ministro.
Este incidente atualmente é alvo de uma ampla investigação policial: o governo está determinado a prosseguir com sua luta contra o comércio terrível que representa esse tipo de tráfico, cujos autores não têm qualquer consideração pela vida humana, acrescentou o ministro.
Este drama servirá, sem dúvida, para reavivar a polêmica em relação ao fluxo de clandestinos e pessoas que solicitam asilo na Grã-Bretanha, já que a oposição conservadora acusa o governo de Tony Blair de demonstrar displicência quanto a este assunto.
Blair, entrevistado em Portugal, onde assiste a uma cúpula da União Européia, recordou que seu governo tomou uma série de medidas para tentar impedir que essa gente seja ajudada a entrar de maneira clandestina no país.
Uma lei sobre imigração clandestina, que entrou em vigor am abril passado, prevê fortes multas para os motoristas de caminhão que entram em território britânico com imigrantes clandestinos a bordo.
Também proíbe a quem pede asilo a igualmente solicitar uma ajuda social no porto de chegada, o que permitiu acabar com um dos ímãs que atraíam os imigrantes para este país.
O Porto de Dover é um dos centros principais do tráfico de imigrantes clandestinos, por isso a polícia e alfândega exercem controles permanentes. Desta forma, durante o mês de agosto de 1999, foi batido um recorde quando 1.130 clandestinos acabaram detidos em Dover.
Os dados correspondentes à sociedade proprietária do caminhão, no qual foram descobertos os corpos de 58 pessoas são falsos, informou, em Rotterdã, a transportadora marítima anglo-holandesa P&O Stena Line. O nome e as informações referentes ao proprietário do caminhão, registrados apenas na segunda-feira passada ante a P&O, não correspondem à verdade, segundo o porta-voz, Stena Line.


