O Human Rights Watch, uma organização cívica internacional sediada em Nova York que aponta com frequência as violações contra os direitos humanos no Brasil, na América Latina e no resto do mundo, abriu fogo agora contra o tipo mais comum de abuso contra os direitos humanos praticado nos Estados Unidos: a brutalidade policial. Num relatório de 450 páginas, que examina o problema em catorze grandes cidades norte-americanas, o grupo afirma que a violência das polícias já atingiu proporções epidêmicas no país e acusou as autoridades federais, estaduais e municipais de omissão.
‘‘Os departamentos de polícia gostam de afirmar que os casos mais notórios de abusos são aberrações, cometidas por maus policiais’’, disse Kenneth Roth, o diretor executivo do Human Rights Watch. ‘‘Mas essas violações dos direitos humanos persistem porque os sistemas de investigação e punição dos responsáveis são muito defeituosos’’. Para Roth, a falta de uma ação mais decidida e eficaz nos EUA contra esses abusos, que afetam de forma desproporcional os membros de minorias raciais, põe em dúvida o papel de liderança do país na luta pelos direitos humanos no mundo.
Ele pediu que Washington passe a aplicar aos departamentos municipais de polícia a mesma lei federal que proíbe o governo de dar ajuda financeira a países que violam os direitos humanos. ‘‘As verbas federais para as polícias devem ser condicionadas ao fornecimento regular de informações sobre uso excessivo de força pelas polícias e a progressos nas áreas de disciplina e supervisão’’.

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