Polícia dissolve ato em homenagem a Allende
Ansa
De Santiago
Um forte contingente policial dissolveu nesta sexta-feira uma manifestação de cerca de cem militantes comunistas que tentavam homenagear o ex-presidente Salvador Allende em um lado do palácio presidencial que era o tradicional acesso ao La Moneda, atualmente fechado.
Os manifestantes, liderados pela candidata presidencial Gladys Marín, insistiram em ultrapassar a barreira policial para depositar flores, mas foram contidos por violentos jatos dágua lançados por dois carros pipa.
A dirigente comunista, totalmente ensopada, foi derrubada pela violência da água. Recuperada, decidiu ir ao palácio presidencial pedir explicações ao ministro de Interior, Raúl Troncoso, e ao subsecretário da pasta, Guillermo Pickering.
Marín, que não foi recebida por ninguém, culpou o governo pelo acontecido e acusou seus membros de covardes porque, segundo ela, sabiam que o Partido Comunista renderia tal homenagem.
Pickering declarou mais tarde que a manifestação não estava autorizada. Segundo informes extra-oficiais, quatro pessoas foram presas nos arredores de La Moneda.
Por outra parte, pela primeira vez desde 16 de outubro, quando foi detido em Londres, o ex-ditador chileno Augusto Pinochet não se levantou ontem de seu leito, afirmou ontem em Santiago um ex-militar próximo ao ex-presidente.
Em declarações citadas pela Rádio Cooperativa, de Santiago, o general da reserva Luis Cortés, diretor-executivo da Fundação Pinochet, disse que a atitude do ex-ditador indica um agravamento do seu estado de saúde.
Pinochet, que em 25 de novembro completará 84 anos, foi examinado ontem em sua casa de Londres por um médico militar chileno, mas o resultado da consulta ainda não é conhecido publicamente. É sabido que o ex-general sofreu anteontem uma crise de diabetes.
Hoje será o 26º aniversário do sangrento golpe de Estado com o qual Pinochet derrubou o governo constitucional de Salvador Allende. Pinochet governou o Chile até 1990, quando a democracia retornou ao país.





