São Paulo - Durante uma grande operação antiterrorista em 16 municípios da Bélgica na madrugada de ontem, a polícia belga prendeu 12 suspeitos de atividades ligadas ao terrorismo. As detenções acontecem em meio a ameaças de novos atentados durante a Eurocopa, que teve início no dia 10, na França, e após os ataques de 22 de março ao aeroporto e metrô de Bruxelas, que deixaram 32 mortos e feriram centenas.

"Em conexão com uma investigação criminal relacionada ao terrorismo, 40 pessoas foram levadas para interrogatório. Entre elas, 12 foram presas", afirmou em nota o Ministério Público Federal belga. Ainda de acordo com o MPF, "o juiz de instrução decidirá sobre a possível detenção dos suspeitos mais tarde. Os resultados da investigação necessitavam de uma intervenção imediata. A investigação continua."

Segundo o Ministério Público, não foram encontradas armas ou explosivos nas buscas conduzidas durante a madrugada. "Queremos continuar vivendo normalmente", afirmou o primeiro-ministro belga Charles Michel em coletiva de imprensa. "A situação está sob controle", garantiu. "Estamos extremamente vigilantes, monitorando a situação hora a hora e continuaremos com determinação a luta contra o extremismo, a radicalização e o terrorismo", disse.

O canal de TV flamengo "VTM" afirmou que os presos durante a noite eram suspeitos de planejar um ataque em Bruxelas neste final de semana durante uma partida de futebol da Bélgica.

Na semana passada, o Ministério Público Federal belga informou ter detido um homem de 31 anos, em Bruxelas, como parte das investigações pelos atentados de 22 de março na capital belga. O suspeito foi detido no dia 9, no bairro de Schaerbeek, o mesmo de onde partiram os terroristas que explodiram bombas no aeroporto de Bruxelas.

Em abril, a polícia belga já havia detido seis homens em operação relacionada aos atentados. Quatro foram acusados de integrar uma organização terrorista: Mohamed Abrini, Osama K., Herve B. M. e Bilal E. M.

AMEAÇAS
Na semana passada, a polícia francesa foi alertada pela polícia belga da possível chegada de pequenos grupos de extremistas vindos da Síria com planos de realizar ataques na França e na Bélgica.

A França está em estado de alerta desde os ataques do Estado Islâmico em Paris em novembro, que deixaram 130 mortos, e pela ameaça da facção de conduzir novos ataques durante a Eurocopa.
Um porta-voz do centro de crises belga afirmou na semana passada que o alerta de segurança da Bélgica está mantido. "Nós ainda estamos no nível três, nível razoavelmente alto de ameaça", disse Benoit Ramacker.

O nível três (de quatro possíveis) significa que a ameaça é considerada séria, possível e provável. O país vive sob o nível três de alerta desde novembro, na esteira dos ataques de Paris. No dia 13, um policial e sua mulher foram assassinados na região metropolitana de Paris por Larossi Abballa, 25, que afirmava pertencer à facção Estado Islâmico. Em vídeo postado no Facebook, Abballa diz: "Vamos converter a Eurocopa em um cemitério".

mockup