Polícia autorizada a adotar a nova lei
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Kieron Flynn 
France Press
Hong Kong
France PressFim de festaUm policial acompanha um desfile que marca o encerramento das festividades de devolução de Hong Kong à ChinaA polícia local recebeu ordem de aplicar as novas leis que restringem as liberdades civis, anunciou um comandante da polícia de Hong Kong ontem, depois de vários inspetores revelarem que preferiam renunciar a colocar em prática esta legislação. As novas leis incluem controles sobre as manifestações e os partidos políticos. A partir de agora, destruir uma bandeira chinesa ou de Hong Kong é crime.
O diretor das operações policiais, Benny Ng, disse que os oficiais estão autorizados a mostrar uma certa flexibilidade e que não serão obrigados a aplicar as leis de forma estrita. Contudo, cinco oficiais disseram que entregaram suas insígnias, um deles enviou sua carta de renúncia, antes que Hong Kong passasse à soberania chinesa, à meia-noite da última segunda-feira. Admitiram que temiam ser obrigados a reprimir manifestações da mesma forma com que se esmagou o movimento pró-democracia de junho de 1989 na Praça da Paz Celestial (Tiananmen).
Os que entregaram suas insígnias não renunciaram oficialmente e poderão inclusive ser submetidos a sanções disciplinares por não se apresentar ao trabalho. Um porta-voz da polícia de Hong Kong se negou a confirmar ou desmentir se estes oficiais seriam investigados. A situação estará mais clara hoje, quando termina o feriado prolongado que foi estabelecido para marcar a transferência do território, acrescentou. Um dos oficiais que entregaram suas insígnias, o inspetor Chik Ki-Wai, disse que teme que a polícia tenha de recorrer à violência excessiva para reprimir as manifestações, como fizeram as autoridades chinesas em junho de 1989 na Praça da Paz Celestial.
O que aconteceria se tivéssemos aqui uma situação como a de 4 de junho? Seríamos nós quem teríamos de aplicar as leis da ordem pública, declarou à AFP. Já o comandante da polícia Benny Ng afirmou que não espera que as novas leis mudem a natureza da atividade policial em Hong Kong, esclarecendo que seus subordinados deverão trabalhar com a legislação vigente, seja ela qual for. Demos uma ordem a respeito, declarou Ng à AFP, acrescentando que ainda não foi necessário aplicar a nova legislação desde que esta foi aprovada por uma assembléia designada pela China, que substituiu a anterior. Esta ordem foi enviada a todos os comandantes dos 28 mil policiais de Hong Kong.


