da France Presse, de Kinshasa

France PresseAmeaça ambulanteSoldados de Kabila patrulham as ruas da capital: ‘‘Eles têm o gatilhbo frouxo’’, diz um moradorA euforia com a libertação diminuía ontem, cuja população começa a se preocupar com a demora de Laurent Kabila em formar seu governo e a se queixar da atitude dos vencedores. Depois de pedir ajuda aos soldados da Aliança de Forças Democráticas para a Libertação do Congo-Zaire (AFDLCZ) para manter a ordem em seus bairros, muitos querem agora que retornem a seus quartéis.
‘‘Eles têm o gatilho frouxo e há pessoas que aproveitam sua presença para ajustar contas pessoais, acusando seus inimigos de mobutistas’’, queixou-se um morador, acrescentando que ‘‘não passam de guerrilheiros’’.
Um comunicado difundido na véspera por uma emissora de rádio, proibindo as mulheres de usarem calça comprida e roupas justas, foi recebido como uma medida arbitrária, inútil e impopular. ‘‘O país tem problemas mais graves’’, afirmou uma delas, indignada.
Em Kinshasa, muitos jovens da Aliança descobrem a grande cidade e suas tentações. Quanto aos dirigentes, é como se associassem a cidade ao odiado regime deposto, talvez até ao ‘‘mal absoluto’’.
A formação do governo, prometida pelo próprio Kabila para a última terça-feira, se arrasta.
A população pede para que o líder da oposição radical, Etienne Tshisekedi, ocupe o cargo de primeiro-ministro como garantia contra um poder exclusivo e absoluto da AFDLCZ.
‘‘Se assumir apenas como ministro, estará submetido a Kabila’’, opinou Gregoire, um de seus partidários que se reúnem todas as manhãs diante da casa de Tshisekedi.
A onipresença da AFDLCZ - cujo nome consta em todos os primeiros documentos da ‘‘República Democrática do Congo’’ -, o desconhecimento dos quatro partidos que a integram e a presença de vários ruandeses ou zairenses de origem ruandesa começam a suscitar desconfiança.
Todos querem que Kabila responda a estas preocupações, mas o novo Chefe de Estado, que chegou à capital na última terça-feira, continua em silêncio.

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