Paris/Davos - A promotoria de Paris confirmou ontem que a polícia revistou na sexta-feira a residência de Jérôme Kerviel, suposto autor da fraude interna de 4,9 bilhões de euros (7,1 bilhões de dólares) no banco Société Génerale, instituição que, por sua vez, forneceu voluntariamente informações úteis para a investigação.

Em Davos, no Fórum Econômico Mundial, a elite política e econômica mundial demonstrou espanto com o ocorrido. Uma porta-voz do Société Générale havia informado mais cedo que a sede do banco, no bairro empresarial parisiense de La Defense, havia sido revistada no mesmo dia.

A promotoria considera o banco vítima na fraude colossal, a maior da história do setor bancário atribuída a apenas uma pessoa. Uma fonte ligada às investigações afirmou que, na sede do Société Générale, os policiais procuraram principalmente arquivos no computador de Kerviel.

Nos alpes suíços, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean Claude Trichet, defendeu o aumento dos controles bancários, já que o caso do Société Générale provocou estupor entre os participantes do Fórum Econômico Mundial.
''É uma necessidade absoluta fortalecer os controles internos de risco em todas as instituições'', disse Trichet.

''O problema é que os bancos se transformaram em supermercados: querem ser tudo de uma vez, banco de investimentos, banco de negócios, corretora, e os diretores não compreendem o que acontece em suas salas de mercado'', disse o presidente de uma grande companhia financeira que pediu anonimato.

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