Polêmico, embaixador defende nacionalistas
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terça-feira, 05 de junho de 2018
Diogo Bercito<br>Folhapress 
Madri, Espanha - Para desgosto de seus aliados na Europa, o presidente americano tem disseminado seu discurso populista em países como a Alemanha e a Itália. Seu embaixador em Berlim, Richard Grenell, é a boca de Donald Trump no bloco desde que chegou ao posto em maio. Causou tanto atrito que já há pedidos para que seja removido.
O episódio mais recente ocorreu no último domingo (3), quando o site de direita nacionalista Breitbart publicou uma entrevista com Grenell, na qual o diplomata celebrou o crescimento de movimentos antissistema na União Europeia e se disse disposto a apoiá-los.
Em um gesto incomum, disse ainda que planeja servir em sua casa um almoço para o chanceler da Áustria, o conservador Sebastian Kurz, a quem classificou como um "rock star" - o austríaco chegou ao poder com uma campanha baseada na aversão aos refugiados.
"Quero empoderar outros conservadores na Europa, outros líderes", disse, relacionando o surgimento de forças populistas às "políticas frustradas da esquerda". Ele também traçou uma linha reta entre a eleição de Trump em 2016 e a consolidação dos partidos de direita na Europa. O Breitbart lhe descreveu como "embaixador trumpiano" na entrevista.
Ainda que a influência de Trump no populismo europeu não esteja empiricamente provada, existe ao menos uma coincidência entre a política americana e a de diversos dos países do bloco econômico.
A Alemanha, por exemplo, registrou o crescimento dos nacionalistas de direita da AfD (Alternativa para a Alemanha) nas eleições do ano passado. O partido é hoje a maior sigla de oposição no Parlamento alemão.
Steve Bannon, estrategista da campanha de Trump, viajou à Itália nas eleições deste ano para apoiar abertamente os movimentos populistas, e tem se gabado de ter aconselhado o antissistema 5 Estrelas e o nacionalista Liga a formarem um governo.
Grenell, boca de Trump, representa em Berlim a antipatia do americano pela chanceler alemã, Angela Merkel, e por suas políticas migratórias.


