Polêmica ronda o desarme colombiano
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quinta-feira, 27 de novembro de 2003
France Presse 
Medellin, Colômbia - O governo da Colômbia, que iniciou na terça-feira um processo de desmobilização dos paramilitares, com o desarme de 855 combatentes, encara agora a difícil tarefa de mostrar que este processo, seriamente questionado no país e na comunidade internacional, é viável.
O grupo de desmobilizados iniciou ontem, num sítio da localidade de La Ceja, 450 km ao noroeste de Bogotá, o programa de reinserção à vida civil, enquanto outros 150 paramilitares se preparam para o desarme, no dia 7 de dezembro, nas montanhas do sul do país.
A desmobilização do Bloco Cacique Nutibara (BCN) é o primeiro resultado de um acordo, assinado em 15 de julho, entre as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) e o governo do presidente Alvaro Uribe, destinado a retirar 20.000 homens da guerra antes de dezembro de 2005.
No entanto, congressistas, dirigentes políticos e defensores dos direitos humanos expressaram suas dúvidas sobre o sucesso deste processo, pois a situação jurídica dos desmobilizados ainda é indefinida, e não se sabe o que farão quando retornarem à vida civil, dentro de três semanas.
''Construir a paz é dar um passo após o outro, andar sobre cascas de ovos. Conduzimos este processo com muito cuidado'', afirmou o alto representante da paz, Luis Carlos Restrepo, admitindo que ainda existem vários problemas, como os pedidos de extradição contra os principais líderes paramilitares, Carlos CastaÀo e Salvatore Mancuso.
O procurador-geral Luis Camilo Osorio especificou ontem que os acusados por crimes hediondos ou de narcotráfico não serão incluídos na lei que estimula o governo a suspender provisoriamente os processos judiciais.
Durante o ato de desmobilização dos 855 combatentes do BCN, CastaÀo avisou que, para o processo de paz com as AUC poder funcionar, é indispensável conceder benefícios jurídicos aos desmobilizados.


