Polêmica entre Brasil e EUA
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de julho de 2008
France Presse 
Genebra - Norte-americanos e brasileiros se envolveram ontem em uma polêmica sobre Joseph Goebbels, depois de declarações do chanceler brasileiro, Celso Amorim, comparando a atitude dos países ricos na Organização Mundial de Comércio (OMC) com a do chefe da propaganda do Terceiro Reich.
Às vésperas do começo de uma semana crucial de negociações na OMC, destinada a alcançar um acordo histórico Norte-Sul sobre a liberalização do comércio, o porta-voz da delegação norte-americana, Sean Spicer, considerou ''inoportunos'' os comentários do chanceler brasileiro.
Durante uma entrevista coletiva à imprensa concedida sábado na sede da OMC em Genebra, Celso Amorim criticou energicamente a atitude dos países ricos nas negociações, acusando-os de considerar que a questão agrícola já estava praticamente aceita pelos 152 países-membros.
''Resta muito a fazer na agricultura'', destacou Amorim, que citou Goebbels (''uma mentira repetida muitas vezes se torna uma verdade''). Segundo o porta-voz norte-americano, ''no momento em que se tenta chegar a um resultado favorável para as negociações, esse tipo de afirmação é muito inoportuna''.
Ao se referir à ''história pessoal'' da negociadora norte-americana Susan Schwab, filha de sobreviventes do Holocausto, Sean Spicer considerou que um ministro das Relações Exteriores deveria ''considerar alguns sentimentos''.
Segundo sua assessoria de imprensa, Amorim ''não tem intenção de pedir desculpas'' durante esse encontro, ''já que sua intenção era mostrar que a propaganda pode se sobrepor aos fatos históricos'' e não fazer uma comparação entre pessoas.


