A cremação de Pol Pot, ontem de manhã no norte do Camboja, fecha o capítulo de seu reino de terror e põe fim ao movimento Khmer Vermelho de inspiração maoísta, afirmou ontem um dirigente da guerrilha Khmer. ‘‘Desde as 9h52 desta manhã já não existe Pol Pot e já não existem os Khmers Vermelhos. Tudo acabou’’, disse Non Nu, que até agora era o carcereiro do histórico líder dos Khmers Vermelhos, morto quarta-feira passada. O regime liderado por Pol Pot era acusado de matar 2 milhões de compatriotas.
Os Estados Unidos lideram um movimento internacional que pede que os chefes do regime Khmer (1975-79) que continuam vivos sejam julgados e condenados por crimes contra a humanidade. Mas a facção rebelde, que agora usa oficialmente o nome de Partido da Solidaridade Nacional, pretende participar das eleições legislativas de julho próximo se os outros partidos cambojanos concordarem, segundo Non Nu. Uma hipótese altamente improvável, segundo os analistas. ‘‘O futuro do nosso grupo é continuar lutando até que cheguemos a um acordo com o governo do Camboja, porém, até o momento, não há negociações‘‘, declarou Non Nu.
O corpo de Pol Pot foi incinerado neste sábado de manhã no extremo norte do Camboja, perto da fronteira tailandesa. Apenas 20 pessoas rodeavam a pira funerária, localizada perto da cabana onde o ditador morreu aparentemente de um ataque cardíaco. A direção atual da guerrilha não estava presente.

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