JERUSALÉM - O presidente palestino, Yasser Arafat, tem esperança de que o longamente postergado acordo para a entrega da cidade de Hebron à administração palestina será assinado com Israel no final deste mês, informaram ontem legisladores palestinos.
O parlamentar Ziyad Abu Ziyad, de Jerusalém Oriental, afirmou à Reuter que Arafat anunciou a data enquanto informava a legisladores palestinos em Ramallah os progressos nas conversações com Israel sobre o acordo de Hebron.
‘‘Se os israelenses levarem à frente suas promessas e os planos que foram traçados talvez seja possível concluir um acordo entre os dias 30 e 31 (de dezembro)’’, disse Abu Ziyad após a reunião com Arafat.
A declaração, confirmada por outros parlamentares, reforçou a previsão de um alto oficial israelense que afirmou a repórteres na noite de terça-feira que ele esperava a conclusão de um acordo até o fim do ano.
Mas Abu Ziyad acrescentou que Arafat estava cauteloso: ‘‘Ele disse que talvez não haja acordo pois o governo israelense tem ignorado seus acordos’’.
A cúpula, na terça-feira, entre Arafat e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pôs fim a semanas de impasse nas negociações sobre a longamente adiada entrega por parte de Israel de 80% de Hebron aos palestinos, na Cisjordânia ocupada.
Enquanto negociadores de ambos os lados se reuniam num hotel de Jerusalém para acertar os detalhes nas negociações mediadas pelos EUA, a cidade da Cisjordânia continuava tensa. Uma bomba incendiária foi lançada ao lado de um enclave judeu mas não deixou feridos ou danos.
Netanyahu quer garantias de segurança para os 400 colonos judeus vivendo em meio a 100 mil habitantes árabes da cidade que é sagrada tanto para muçulmanos quanto para judeus.
A maior parte dos 18 integrantes do gabinete de Netanyahu deve apoiar o acordo mas alguns, incluindo o ex-general Ariel Sharon, têm criticado a proposta, considerando-a perigosa para os judeus em Hebron.
Hebron, capturada por Israel com o resto da Cisjordânia na Guerra dos Seis Dias de 1967, é a última das cidades palestinas programada para receber autonomia sob o acordo de paz de 1995. Temores de segurança por parte de Israel têm atrasado sua transferência.
A retirada de Hebron é vista como chave para qualquer nova iniciativa de paz entre Israel e a OLP. Os árabes vêem a retirada como um teste das intenções de Netanyahu para o processo de paz.

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