América Latina e Caribe enfrentam as maiores desigualdades sociais do planeta, que se refletem na existência de 224 milhões de pobres, equivalentes a 36% de sua população, advertiu ontem o secretário executivo da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), José Antonio Ocampo.
‘‘Neste sentido, o primeiro objetivo deve continuar sendo a superação das amplas, insustentáveis e indesejáveis condições de pobreza’’, assinalou Ocampo, ao inaugurar a segunda conferência regional sobre seguimento da Reunião Mundial de Cúpula de Desenvolvimento Social, realizada há cinco anos na Dinamarca.
Um estudo da Cepal, difundido ao iniciar-se a conferência de três dias, admitiu que a pobreza se reduziu de 41% a 36% entre 1990 e 1997, antes da crise asiática e seus consequentes efeitos sobre as economias da região.
‘‘Entretanto – precisou Ocampo –, durante a recente crise, este processo de melhoria foi detido e assim o número absoluto de pobres aumentou cerca de 20 milhões, atingindo 224 milhões de pessoas em 1999.
Um informe especial feito pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) afirma que os processos de reeleições presidenciais na América Latina ‘‘podem não ser convenientes em países que carecem de um elaborado sistema de controle do uso dos fundos públicos’’.
O BID fez essa afirmação ao assinalar que a qualidade do desenvolvimento da América Latina depende da vitalidade de seus sistemas políticos.
‘‘Neste informe decidimos incursionar, com certo temor, no difícil terreno das ciências políticas’’, disse o principal analista do BID, Ricardo Hausmann.
No documento de 219 páginas, Hausmann disse em termos genéricos que ‘‘as deficiências de nosso estado de desenvolvimento não podem ser atribuídas à posição passiva que nos correspondeu julgar no xadrez político mundial, como chegou a ser crença comum da região durante a guerra fria, nem podem ser atribuídas à política estatista e de autarquia, como ficou em voga afirmar sob a influência do consenso de Washington’’.

mockup