Pó com amianto ameaça trabalhadores
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de setembro de 2001
Mario Osava <br> International Press <br> Do Rio de Janeiro 
O pó de alto conteúdo de amianto que cobriu parte de Nova York ameaça os sobreviventes do atentado do dia 11 de setembro no World Trade Center e todos aqueles que permaneceram por muito tempo na área. Esse mineral cancerígeno foi utilizado na construção dos prédios, porque impede a propagação do fogo, segundo advertência de Fernanda Giannasi, presidente da Rede Virtual pela Proibição do Amianto na América Latina, feita durante um seminário sobre contaminação industrial, realizado no Rio de Janeiro.
As partículas de amianto podem permanecer por várias semanas no ar e contaminar, por aspiração, os residentes das proximidades, as pessoas que permanecem vivas sob os escombros e todos aqueles que trabalham nas operações de resgate. O amianto, ao ser inalado, provoca asbestosis, uma enfermidade que reduz a capacidade pulmonar, e até câncer. Por isso, recomenda-se o uso de máscaras.
As torres destruídas são apresentadas em uma peça publicitária da empresa canadense Asbestos Corporation como edifícios que dispõem de uma maior proteção contra incêndios graças ao amianto, um material não combustível. Grande parte das construções de Nova York contém amianto, já proibido em diversos países, em especial na Europa. No Brasil, foram proibidas várias de suas aplicações, mas ainda se luta pela eliminação total.
A central sindical espanhola Comissões Operárias calcula que cerca de 50 milhões de toneladas de amianto recobrem edifícios em toda a Europa. E avalia que o seu uso na construção civil causará, nos próximos 30 anos, meio milhão de mortes por câncer pulmonar na Espanha, tanto entre operários quanto entre habitantes de áreas próximas a fábricas.


