France PresseEsperançaUma criança, agitando a bandeira dos trabalhistas, durante um comício eleitoral, é o próprio símbolo da mudança que se acredita ocorrerá com as eleições de hoje na Grã-Bretanha. Jovens, que passaram toda a vida sob o governo conservador, mostram muita disposição em mudar a história do seu paísBerço da Revolução Industrial, engenho da revolução de costumes dos anos 60 e matriz do chamado neoliberalismo econômico. Quinta economia mais forte do mundo, com PIB de US$ 1.120.000.. (um trilhão e 120 bilhões de dólares), exemplo de democracia parlamentar e de monarquia constitucional. Um dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e um ponto de cruzamento de rotas comerciais e das civilizações ocidental e oriental.
Este, para dizer o mínimo, é o Reino Unido da Grã-Bretanha, o país que conservadores, trabalhistas e liberal democratas estarão disputando nas urnas, a partir das 8 horas da manhã de hoje.
A campanha eleitoral foi a mais longa dos tempos modernos, porque, embora o Parlamento só tenha sido dissolvido no final do mês de março, a briga pelo poder começou em 1994, quando a liderança do Partido Trabalhista caiu nas mãos do jovem advogado Tony Blair, escocês, e ele teve a coragem de desafiar a esquerda na máquina partidária, alterar os estatutos e dar ao movimento uma feição moderna.
Beneficiado pelo cansaço da nação com os 18 anos de administração conservadora (desde a eleição de Margaret Thatcher, em 1979); pelo mau funcionamento do sistema de assistência social e de saúde, antes um modelo copiado pelo mundo; pela queda do nível do ensino público e pela divisão que a questão da união monetária na Europa provocou no Partido governante, Tony Blair foi ganhando apoio, com o seu ‘‘New Labour’’, e já é apontado como o futuro primeiro-ministro britânico.
Pode acontecer uma virada, quando todos os 43.984.745 eleitores tiverem votado e as urnas forem abertas, às 22 horas. Uma surpresa como a que o líder trabalhista Neil Kinnock teve em 1992, na disputa contra o já primeiro-ministro, naquela ocasião, John Major. Mas, raras vezes as pesquisas de opinião foram tão consistentes quanto nestas eleições e, a julgar pelos resultados que apresentaram, o trabalhismo voltará ao poder com uma maioria de mais de cem cadeiras na Câmara dos Comuns. Ou até mais.
A média de todas as últimas pesquisas feitas no país apresentou como resultado uma vantagem de 18 pontos para o Partido Trabalhista. Se confirmada, a maioria do Labour, no Parlamento, poderia ficar em torno de 150 cadeiras.
Os liberal democratas não esperam conquistar o governo. Mas, foi tão bem conduzida a campanha eleitoral que fizeram e o líder Paddy Ashdown tão honesto na colocação das suas propostas, que o terceiro partido britânico em força política pode produzir também a sua surpresa. Não ganhará mas terá um peso maior no Parlamento de 659 deputados.
Quanto ao Partido do Referendo, que se levou a sério e fez campanha como os três concorrentes, são mínimas as suas chances de obter 5% dos votos e de eleger pelo menos um dos seus candidatos.

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