Pleito pode dar nova coalizão a Angela Merkel
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sábado, 19 de setembro de 2009
Folhapress 
Quando os alemães saírem para votar nas eleições parlamentares do próximo fim de semana, a escolha que farão não será tanto quem será o chefe de governo, mas com quem e com que tendência ele governará. Na verdade, ela. Angela Merkel, chanceler (premiê) desde 2005, lidera as pesquisas, 11 pontos à frente de seu rival e atual ministro das Relações Exteriores, o social-democrata. A ampla vantagem, porém, não lhe garante hoje a configuração de governo que deseja.
Após uma coalizão de quatro anos com o Partido Social-Democrata (SPD), Merkel deixou claro que prefere uma aliança entre sua União Democrata Cristã (CDU, conservadora) com o Partido Democrata Liberal (FDP, de direita). Assim, espera passar reformas econômicas que a associação com os social-democratas impede.
''Para preservar e aumentar nossa prosperidade, precisamos de políticas orientadas ao crescimento'', disse Merkel em ato de campanha ontem. ''Podemos implementar essa política com mais determinação em um novo governo.''
Mas o que parecia assegurado nas pesquisas de duas semanas atrás hoje é incerto - e pode forçar Merkel e SPD a manterem a atual coalizão.
Juntos, cristão-democratas e liberais computam hoje 49% na corrida ao Bundestag (a Câmara baixa do Parlamento). São só três pontos de vantagem sobre os outros três maiores partidos somados (SPD, Verdes e A Esquerda) - uma vantagem débil levando-se em conta os 45% que, segundo as sondagens, se dizem indecisos.
Houve quem interpretasse esses números como uma possibilidade de coalizão de três partidos - quebrando 60 anos de tradição bipartidária.
''Há 15 anos, as pessoas votavam por tradição, sindicalistas sempre com o SPD, católicos sempre com a CDU. Hoje, a sociedade alemã não é mais claramente estratificada e identificável'', afirma Peter Fischer-Bollin, diretor no Brasil da Fundação Konrad Adenauer, ligada à CDU.
''Há menos católicos, há menos sindicatos fortes. E há mais pessoas, principalmente social-democratas, frustradas e descontentes com as reformas consideradas neoliberais implementadas durante o governo Gerhard Schröder (antecessor de Merkel, em coalizão entre SPD e Verdes) e que provocaram uma revisão do Estado de bem-estar social'', avalia.
Para um jornal alemão, Angela Merkel só perde se for filmada roubando num supermercado.


