Pleito marca o fim da era Mandela
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Agência Folha 
A África do Sul realiza, na próxima quarta-feira, a segunda eleição geral desde o fim do apartheid, o regime de segregação racial terminado em 1994. A votação simboliza o fim da era Nelson Mandela, o atual presidente, e principal figura da resistência negra ao domínio branco no país. Mandela deve vencer as eleições, por intermédio de seu partido, o Congresso Nacional Africano. O candidato à sucessão é Thabo Mbeki, 56, atual vice-presidente e responsável pela condução do país nos últimos anos, pois Mandela, 80, se afastou gradualmente das atividades administrativas a fim de abrir caminho para sua saída do cenário político. Pesquisas dão 65% das intenções de voto ao CNA.
Mbeki, apesar da democratização e dos avanços na estrutura legal do país, ainda enfrenta desafios como uma espécie de apartheid econômico. Essa situação é exemplificada pelo desemprego, um dos principais problemas para o governo. A taxa entre os negros atinge 42%, contra 4% na minoria branca. A violência e a criminalidade também assustam. O país testemunha 50 mortes violentas por dia.
O provável sucesso eleitoral de Mbeki, no entanto, se apóia no carisma de Mandela e nas conquistas do primeiro mandato pós-apartheid. O líder da transição sul-africana impediu que o país mergulhasse em guerras entre extremistas negros e brancos ou que rivalidades tribais provocassem a fragmentação da África do Sul.
O Novo Partido Nacional, cujo antecessor implementou o apartheid, tem 6% das intenções de voto. Em sua plataforma, destaca-se a defesa dos interesses da minoria branca. À frente do NPN, com 7% das intenções de voto, está o Partido Democrático, representante de brancos que criticavam o apartheid.
Os negros, 76% da população, contam também com o Partido da Liberdade Inkhata, que representa a etnia zulu e enfatiza, em seu discurso, o combate à corrupção e à violência.
Ameaça A África do Sul deve temer o fortalecimento de um partido único, pois o continente africano sabe bem as consequências negativas que um governo composto por um só grupo pode trazer. É a opinião do professor Anthony Lemon, da Universidade de Oxford (Reino Unido).


